73ª edição do maior festival de cinema do mundo será de 12 a 23 de maio; em 2018, o cineasta afro-americano foi aclamado e premiado pelo júri do evento por “Infiltrados na Klan”

Texto / Nataly Simões | Edição / Simone Freire | Imagem / Getty Images

O cineasta afro-americano Spike Lee é o primeiro negro a ser nomeado presidente do júri do Festival de Cannes. O anúncio foi feito pelos diretores do maior festival de cinema do mundo nesta terça-feira (14). A 73ª edição do evento será de 12 a 23 de maio de 2020.

Conhecido por seus filmes que denunciam o racismo, Spike Lee afirmou, em comunicado, ter recebido inesperadamente o convite para presidir o júri em Cannes e que o festival foi importante para sua trajetória. “Fiquei chocado, feliz, surpreso e orgulhoso, tudo ao mesmo tempo. O Festival de Cannes teve um grande impacto na minha carreira cinematográfica”, declarou.

O maior festival de cinema do mundo já recebeu em seu júri renomados afro-americanos como a cineasta Ava DuVernay, em 2018, e o ator Will Smith, em 2017. A nomeação de um presidente negro, no entanto, é inédita. Os júris da edição de 2020 serão anunciados em abril.

A participação de Lee em Cannes é marcada pelo sucesso de suas produções cinematográficas. Na edição de 2018, o cineasta foi aclamado e premiado por “Infiltrado na Klan”, suspense sobre a história real de um afro-americano que conseguiu entrar na organização terrorista Ku Klux Klan.

Com mais de 30 anos de carreira, Lee abriu o caminho para uma nova geração de diretores negros como Ryan Coogler (Pantera Negra), Jordan Peele (Corra!), Barry Jenkins (Moonlight) e Ava Duvernay (Selma).

Ausência de negros em premiações do cinema

O anúncio do nome de Spike Lee como presidente do júri do Festival de Cannes aconteceu um dia após o anúncio dos nomeados ao Oscar, premiação criticada, mais uma vez, pela presença mínima de negros e negras entre os indicados.

Em toda série das 92 edições, apenas seis profissionais foram indicados à categoria, entre eles, o próprio Lee, por “Infiltrado na Klan”, na edição de 2018.

O cineasta afro-americano é um dos principais críticos da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos (EUA) e impulsionou, em 2016, um boicote ao Oscar que recebeu diversos adeptos. O motivo foi, justamente, a falta de diversidade, ou seja, indicações negras à premiação.

No anúncio da nomeação de Lee como sucessor do sul-coreano Bong Joon-ho, diretor de “Parasita”, na presidência do júri do Festival de Cannes, a direção pontuou que “o olhar de Spike Lee é mais do que nunca precioso”.

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