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Os números de casos abrangem várias regiões do país, Conaq denuncia falta de políticas públicas


Texto / Flávia Ribeiro | Edição / Pedro Borges | Imagem / Antonio Silva/Agência Pará

Já são 34 óbitos e 176 casos confirmados de Covid-19, o novo coronavírus, entre comunidades quilombolas do Brasil, segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) nesta sexta-feira, 22 de maio. O Pará é o estado que concentra mais óbitos, com nove ocorrências, seguido do Amapá, com oito quilombolas vítimas da doença.

A organização desenvolve o monitoramento autônomo há quase 40 dias ininterruptos, nos estados em que atua, e informa que há 36 casos em análise e dois óbitos sem confirmação de diagnóstico (Bahia e Minas Gerais). “Apesar de todos os esforços, percebemos o agravamento da situação e temos vários óbitos. Nós continuamos não tendo do Estado uma preocupação para a proteção e apoio das comunidades. Com a interiorização da doença, são nas pequenas cidades que a maioria das comunidades quilombolas estão e boa parte não tem estrutura. Muitas não têm serviço algum de saúde. É preciso se deslocar para a cidade para acessar serviços e isso pode ser uma possibilidade de infecção” afirma Givânia Silva, articuladora da Conaq.

Ela diz que não é fácil nem mesmo cobrar políticas públicas do governo federal. “Numa outra articulação de governo seria papel da Seppir articular o ministério da saúde junto com a Fundação Palmares. Sem a Seppir, não há órgão algum cuidando disso. Fica para estados e prefeituras e é assim que as coisas deixaram de acontecer”, destaca a articuladora, referindo-se à Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, que desde 2019 passou a integrar o Ministério, da Família e dos Direitos Humanos.

Segundo a Conaq, os dados da transmissão da doença em territórios quilombolas são subnotificados, pois muitas secretarias municipais deixam de informar casos confirmados e quilombolas. Além do Pará e Amapá, os óbitos ainda foram registrados em Pernambuco, Rio de Janeiro, Goiás, Espírito Santo, Bahia, Ceará, Maranhão e Amazonas.

“Não temos um encaminhamento ou condução da nossa situação. Há falta de acesso de serviços e políticas públicas, o que nessas horas causa maiores danos e prejuízos”, pontua Givânia Silvia. Em matéria publicada pelo Alma Preta, confira aqui, muitas comunidades tomaram a iniciativa de fechar seus acessos e reclamaram de apoio do poder público.

Em coletiva de imprensa realizada na última quarta-feira, 20, Alberto Beltrame, secretário de saúde do Pará, o estado com mais óbitos disse que “felizmente havia poucos casos entre quilombolas e indígenas” e que estava apoiando a realização de testes e atendimento ambulatorial e hospitalar dos grupos “que estão entre os mais vulneráveis”.

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