Segunda Black reúne a comunidade negra para debater o teatro no país. Outras iniciativas com a mesma proposta acontecem em grandes cidades brasileiras, como São Paulo, Salvador e Belo Horizonte.

Texto / Leonne Gabriel
Imagem / Diogo Nunes

Movimente que nasce para o público negro ocupar as cadeiras de teatro, a Segunda Black agita a cena cultural do Rio de janeiro. No próximo dia 26 vai acontecer a terceira edição da primeira temporada, no Terreiro Contemporâneo, no Centro, que reúne trabalhos de diferentes linguagens de artistas negros. O ator Licínio Januário, um dos idealizadores, contou que o projeto foi pensado para fortalecer a comunidade negra:

“A Segunda Black traz a união dos nossos. Queremos fomentar o crescimento da plateia preta no teatro. A gente sente falta disso. Tem muitos atores pretos fazendo trabalhos excelentes e os nossos não nos conhecem”, explicou.

A Segunda Black foi inspirada em projetos que acontecem em outros estados do Brasil, como a Cena tá Preta (BA), a Segunda Preta (MG) e a Segunda Crespa (SP). Segundo Licínio a intenção é fazer conexões entre o palco e a universidade e qualificar o debate em torno disso:

“Os movimentos teatrais pretos estão se unindo para fomentar a criticidade preta nas artes cênicas. A gente quer transformar a Segunda Black num lugar de diálogo de todos os coletivos teatrais pretos do Rio com a academia. Quem faz a criticidade dos espetáculos são sempre brancos e por isso estamos buscando fortalecer os movimentos de cada estado”, contou.

Segunda Black corpo

Segunda Black reúne negras e negros interessados no debate sobre o teatro no Brasil (Foto: Leandro Cunha)

Além do Licínio, os artistas e intelectuais Paulo Mattos, Reinaldo Júnior, Rodrigo França e Sol Miranda estão envolvidos nesse projeto. Uma das ideias é se unir aos coletivos universitários negros para fortalecer a cena artística.

“A gente abre mão de uma vida financeiramente estável para representar os nossos. É uma luta porque o sistema ainda não nos permite transformar esse trabalho no nosso ganha pão. Por isso é muito importante a gente se unir aos coletivos universitários, o Carolina na UFRJ, o Nuvem Negra na PUC-Rio e o Patrício na UERJ. Se essa galera toda se unir ao Segunda Black comparecendo, expandindo a mensagem e levando suas famílias ninguém vai nos segurar”, contou Licínio.

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