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Grupo de manifestantes é contra a posse do novo presidente do órgão de promoção da cultura afro-brasileira; novo gestor fez uma série de publicações nas redes sociais relativizando temas como a escravidão e o racismo no país

Texto / Nataly Simões | Edição / Pedro Borges | Imagem / Carolina Cruz

Representantes do movimento negro ocuparam a sede da Fundação Cultural Palmares, em Brasília, nesta sexta-feira (29). O grupo de aproximadamente 30 pessoas protesta contra a posse do novo presidente do órgão de promoção da cultura afro-brasileira Sérgio Nascimento de Camargo.

Seguranças tentaram impedir o acesso dos manifestantes, mas de forma pacífica eles foram até o sétimo andar do prédio, onde fica o gabinete do novo presidente da Fundação.

O protesto faz referência a uma série de publicações feitas por Camargo nas redes sociais, em que o novo presidente diminui a atuação do movimento negro, a escravidão e as consequências do racismo no país.

Em uma das publicações, antes de ser nomeado ao cargo na quarta-feira (27), Camargo disse que “sente vergonha e asco da negrada militante. Às vezes, pena. Se acham revolucionários, mas não passam de escravos da esquerda”.

O novo presidente do órgão também é contra o Dia da Consciência Negra, data que faz referência à morte do líder Zumbi dos Palmares. Segundo ele, “o feriado precisa ser abolido nacionalmente por decreto presidencial”.

Também nesta sexta-feira (29), o movimento negro protocolou no Ministério Público Federal (MPF) um pedido de anulação da nomeação de Camargo. O documento recebeu 62 assinaturas de diversas entidades e parlamentares de partidos de oposição ao governo.

Fundação existe há mais de 30 anos

Criada em 1988, a Fundação Cultural Palmares nasceu vinculada ao Ministério da Cultura. Extinta no governo Bolsonaro, a entidade passou a compor o Ministério da Cidadania. De modo geral, a organização tem a finalidade de promover e preservar a cultura afro-brasileira.

Preocupada com a igualdade racial e com a valorização das manifestações de matriz africana, é papel da Palmares formular e implantar políticas públicas que potencializam a participação da população negra brasileira nos processos de desenvolvimento.

A Fundação também é o primeiro mecanismo de reconhecimento de qualquer território quilombola no país. Para ser titulado e reconhecido, é necessário que o órgão primeiro certifique a existência de uma comunidade quilombola. Com a nova gestão, a expectativa para esse segmento social não é das melhores.

Em 2011, o órgão firmou uma importante parceria com o Ministério da Educação para a criação de ações e políticas públicas em favor da cultura afro-brasileira e da promoção da diversidade religiosa. Um dos objetivos era a superação da desigualdade educacional entre negros e não negros, além de implementação da Lei 10.639/2003, que prevê a obrigatoriedade do estudo de história e cultura negras nas redes de ensino.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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