Mesmo com as provas da inocência de Babiy, justiça condenou a jovem a mais de cinco anos de prisão

Texto / Thalyta Martins
Imagem / Arquivo Bárbara Querino

A jovem Babiy Querino, 20 anos, foi condenada em 10 de agosto a cinco anos e quatro meses de prisão pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), por dois assaltos à mão armada em 10 e 26 de setembro de 2017.

Após ter sido detida, ela foi levada pela polícia pela segunda vez em 16 de janeiro sob justificativa de ter sido reconhecida por foto por uma das vítimas como culpada de roubos a carros e pertences pessoais. Com mandado de prisão, ela foi encaminhada para a penitenciária feminina de Franco da Rocha, na região metropolitana de São Paulo, e segue privada de liberdade.

Provas

As provas em favor da jovem vão desde testemunhas a publicações em redes sociais, de acordo com Bruno Cândido, advogado de Babiy. Colegas do trabalho realizado em 10 de setembro declararam, por mensagens, que estiveram com Babiy nesse dia. Um vídeo caseiro e uma publicação no aplicativo Instagram, com local “Enseada - Guarujá”, somam-se aos elementos de defesa.

O irmão, que confessou os crimes, e as amigas de Babiy, como é conhecida e chamada por todos, confirmaram o testemunho que a jovem prestou em 4 de novembro de 2017, data da primeira detenção. Durante o relato, ela informou que em 10 de setembro, data de um dos crimes, estava fora de São Paulo trabalhando como modelo e apresentou como prova o celular com fotos e outras informações. De acordo com parentes e amigos, o aparelho foi resetado pela polícia. Em 26 de setembro, ela informou que estava em casa.

O que poderia justificar a insistência do judiciário em manter essa jovem presa? “A forma institucional do racismo implica práticas discriminatórias sistemáticas fomentadas pelo Estado ou com o seu apoio indireto”, pondera a pesquisadora Nilma Lino Gomes.

Ainda, familiares e amigos de Babiy alegam que o episódio é marcado também por punitivismo, arbitrariedade e injustiça.

O caso

Uma série de crimes de roubo praticados na região de Santo Amaro, Zona Sul da cidade, resultou em diversas ocorrências policiais. Por conta dessa situação, Bárbara foi detida e “embora nada a vinculasse aos crimes, inexplicavelmente foi fichada e apresentada em uma reportagem policial como envolvida no crime”, explica Bruno.

A jovem também foi fotografada pelos policiais e teve sua imagem compartilhada em grupos do aplicativo de mensagens WhatsApp como uma das seis integrantes de uma quadrilha que praticavam roubos na região.

Bárbara Querino

Em 3 de Fevereiro, Babiy Querino fez 20 anos. Ela, a mais velha e única mulher de seis irmãos, mora na região de Santo Amaro, zona sul de São Paulo.

Segundo Mayara Vieira, amiga de Babiy, “está sendo triste demais, porque ela é dançarina e professora de dança, trabalha com a imagem dela e vem de uma vida muito sofrida.” 

Ela também afirma que a jovem prestou o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em 5 de novembro, obteve boa nota e foi aprovada em um projeto de bolsas da organização Educafro para fazer curso de jornalismo em uma universidade privada. A prisão freou todo o processo.

Ações de apoio e divulgação

A amiga Mayara e a família criaram uma página nas redes sociais para mobilização pela liberdade de Babiy. Lá são anunciados atos, vídeos de divulgação e atualizações do processo e da situação de Bárbara na prisão. 

Uma campanha de crowdfunding foi também criada para arrecadar dinheiro com o objetivo de cobrir gastos com advogado e visitas, além de dar apoio à mãe, Fernanda Querino, que tem seis filhos e mora na periferia da Zona Sul de São Paulo. A meta da campanha é obter R$ 5 mil. Até o fechamento dessa reportagem, o projeto atingiu 63,2% do valor total.

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