A escola conquistou a terceira posição no carnaval 2020 e manteve a tradição de abordar temas ligados às religiões de matriz africana

Texto / Lívia Martins I Edição / Pedro Borges

A escola Mocidade Alegre ficou em terceiro lugar no carnaval 2020 e trará para o público pela última vez as orixás femininas no enredo “O canto das Yabás renasce uma nova morada” no desfile das campeãs (29/2).

As orixás foram representadas em fantasias e alegorias. O fio condutor do enredo é uma menina designada para transformar o mundo em uma nova morada por meio de ensinamentos de religiões de matriz africana em encontros com yabás.

A apuração

A morada do samba brigou quesito a quesito para conquistar o primeiro lugar e foi em alegoria, penúltimo aspecto apurado, que a Mocidade perdeu preciosos décimos e ficou em terceiro lugar.

Outro quesito "canetado" pelo jurado foi casal de mestre-sala e porta-bandeira. As justificativas dos jurados ainda não tem data para serem divulgadas no site oficial da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo.

Mocidade

Não é a primeira vez que a morada do samba traz um enredo com temática afro. Em 2016, a Mocidade contou na avenida sobre o centenário do samba por meio de uma lenda africana do deus do ritmo, Ayo. Em 2012, a agremiação venceu o carnaval com enredo inspirado na obra "Tendas dos Milagres", de Jorge Amado.

No passado, em 1970 contou a história de Zumbi dos Palmares e em 1973 venceu no grupo especial com a "Odisséia de uma raça".

Quem é quem

Iemanjá: O segundo carro da escola traz a mãe das águas. Iemanjá é quem cuida do oceano, da vida marítima e no enredo foi a primeira a receber a menina. Uma das yabás mais conhecidas no Brasil, Iemanjá é lembrada por acolher a todos que lhe pedem ajuda, Por isso seus arquétipos mais fortes são o perdão, amor incondicional e a maternidade.

Oxum: O setor seguinte traz a deusa das águas doces, do amor e da riqueza. É Oxum que mantém em equilíbrio as emoções, a fecundidade e a natureza. Suas representações têm dois elementos importantes: a cor amarela e objetos dourados.

Oyá: A mãe dos ventos também ajuda a menina a construir uma nova morada. Oyá é quem comanda as tempestades. Ela traz em si a garra, personalidade forte e o foco em seus objetivos.

Ewá: É o orixá do sexto sentido. É ela quem ensina a iniciada, a pureza sem ingenuidade, o instinto e a vidência. Suas características marcantes são a simpatia e a calma.

Obá: É essa deusa quem dá coragem e ensina como liderar. Obá é enérgica e conhece as artes das batalhas como ninguém. Ela não tem medo de ir à frente e mostrar seu poder.

Nanã: A yabá mais velha, Nanã é quem viu o ser humano ser criado. Ela é a memória da humanidade, pois viu tudo ser criado a partir da lama, para depois receber o axé. Seus arquétipos são a calma, gentileza e paciência. Para a menina, Nanã deu o saber da regeneração.

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