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Com histórico de luta e resistência na família, Zumbi foi um grande líder e comandou o mais conhecido Quilombo da nossa história

Texto / Thalyta Martins
Imagem / Reprodução

Filho de Sabina, esposo de Dandara, Zumbi dos Palmares foi um grande líder do Quilombo dos Palmares no século XVII a partir dos seus 25 anos. Ele nasceu livre no estado de Alagoas em 1655 e representa, junto com outros que lutaram, a resistência negra à escravidão.

Quando pequeno, foi entregue a um padre católico e foi chamado de Francisco. Até os 15 anos, foi batizado, aprendeu a falar português e ajudou o padre em celebrações da religião. Aos 15 anos de idade, no entanto, voltou para o quilombo.

Quando Zumbi tinha 20 anos, o quilombo foi atacado por soldados portugueses. Durante a resistência, ele se destacou como bom guerreiro. Em 1678, o governador de Pernambuco aproxima-se de Ganga Zumba, tio de Zumbi e o primeiro líder do Quilombo dos Palmares, com o objetivo de estabelecer acordos. Zumbi rompeu com o tio porque não aceitou o acordo e tornou-se, então, líder da comunidade em 1680.

Durante sua gestão, o quilombo cresceu e venceu muitas batalhas. O planejamento, os conhecimentos militares e estrategistas para derrubar o inimigo branco e também a coragem de Zumbi foi reconhecida por todos.

Em 1694, no entanto, um grande ataque ao Quilombo dos Palmares destruiu a comunidade que resistia por mais de 90 anos. Zumbi conseguiu fugir, mas foi traído e capturado para as tropas bandeirantes que comandou a batalha. No ano seguinte, aos 40 anos de idade, ele foi degolado em 20 de novembro.

O Quilombo dos Palmares foi uma comunidade formada por escravos fugitivos das fazendas onde eram violentamente explorados. Cerca de 30 mil pessoas conviveram livremente e produziram seus próprios alimentos e outros itens de subsistência. O quilombo nesta época estava localizado na da Barriga, na então Capitania de Pernambuco, região que hoje pertence ao município de União dos Palmares, no estado brasileiro de Alagoas.

Legado

Zumbi é considerado um dos símbolos de luta, de liberdade e reconhecido pela comunidade negra como um grande líder de nossa história. Ele é a prova que os negros que foram escravizados por aqui não foram inertes, submissos e alienados. Também símbolo do protagonismo negro na nossa resistência e luta contra a escravidão.

O Dia Nacional da Consciência Negra homenageia esta figura e foi instituído por meio da lei 12.519 de 2003, sancionada pela presidente na época, . Boa parte das cidades brasileiras ainda não consideram o dia como feriado, mas conforme mostra reportagens publicadas no Alma Preta, há movimento, encontros, atividades, discussões, protestos, marchas, entre outros, ocorrendo.

O corpo do herói foi esquartejado para mostrá-lo sem vida, sua cabeça inerte e sem luta, mas suas ações de resistências nos inspiram até hoje. Uma música da banda Secos e Molhados, diz: E envolto em tempestade decepado, entre os dentes segura a primavera. Somos árvores, flores, milhões de sementes que perpetuam o legado e a coragem de saber que existe dos nossos ancestrais.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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