Líder pan-africanista e ícone político em prol da luta pela igualdade racial nos EUA completaria 93 anos no sábado (19); trajetória do ativista inspira movimentos da causa negra até hoje

Texto / Amauri Eugênio Jr.
Imagem / Getty Images

Malcolm X é, sem dúvida, um dos expoentes máximos da luta em favor da igualdade racial e pela libertação do povo preto. Não por acaso, a sua trajetória e a beligerância por meio da qual combateu a estrutura racista sociopolítica dos EUA são lembradas até hoje e servem como legado para a comunidade negra lutar e resistir.

Se estivesse vivo, Malcolm X completaria 93 anos no sábado (19). A história controversa e polêmica do ativista pela igualdade racial moldou o seu caráter e, como consequência, selou o seu destino.

Nascido como Malcolm Little em 1925, em Omaha, no estado do Nebraska, o futuro líder teve a vida marcada por uma série de tragédias relacionadas à questão racial: o pai, ativista pela igualdade racial, foi brutalmente assassinado por causa da militância; e a mãe, internada em um manicômio em decorrência de um colapso nervoso causado pela série de injúrias sociorraciais impostas a ela e à família.

Todavia, a experiência definitiva para a sua trajetória - e determinante para a sua trajetória - aconteceu quando ele tinha 14 anos e estava na escola. Apesar de ser um ótimo aluno, ele ouviu de um professor que deveria pensar em ter uma profissão mais realista, como marceneiro, após ter dito que queria ser advogado.

Este episódio o fez sair de casa para morar em Boston com Ella, sua irmã. Na nova cidade, ainda tentando se recuperar do ato racista do qual foi vítima, ele acabou se envolvendo pouco a pouco o mundo militar até se mudar para o Harlem, em Nova York, onde, entre outras coisas, trabalhou com venda de drogas.

Para não ser pego pela polícia ou morto por bandidos da região, ele voltou para Boston e foi preso após uma tentativa de assalto, que culminou para ele em pena de 11 anos - sua então namorada, branca, pegou menos da metade da pena.

A detenção mudou radicalmente o modo como encarava o mundo e a sua trajetória. Enquanto passou a se interessar pela leitura, o que expandiu horizontes intelectuais e deu consciência de classe, Malcolm estreitou relações com o movimento Nação do Islã, do qual se tornou militante ferrenho após sair da cadeia e uma das lideranças mais destacadas.

Ponto de virada

Todavia, divergências com Elijah Muhammad, líder-máximo do movimento, o fizeram se afastar da causa. À época, ele decidiu viajar para Meca com o objetivo de conhecer melhor o islamismo, o que mudou de modo radical o modo como ele via a luta antirracista, culminando na criação da OUAA (Organização da Unidade Afro-Americana). No ano seguinte, em 1965, ele foi morto por integrantes da Nação do Islã, aos 39 anos.

Costuma-se dizer que a viagem a Meca transformou o modus operandi de Malcolm X a ponto de ele ser considerado como um militante mais pacífico - sua atuação na Nação do Islã era alvo de críticas de Martin Luther King, que considerava os métodos usados por Malcolm X como violentos. Mas será que a história era essa, de fato?

“Malcolm X criou uma organização preta e radical, secular, aberta aos pretos muçulmanos, cristão, ateus, democratas, republicanos, socialistas, tradicionalistas, entre outros. Outro elemento que atesta o não-pacifismo do irmão Malcolm X é que ele nunca renunciou a violência revolucionária e a luta armada na defesa do povo preto. Tanto que um dos principais pontos da OUAA era a autodefesa armada”, afirma Abisogun Olatundji, da UCPA (União dos Coletivos Pan-Africanistas), sobre o líder negro.

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