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Além de exposições, atividades do museu dão destaque à produção cultural de matriz africana e demais aspectos da formação social brasileira

Texto / Amauri Eugênio Jr.
Imagem / Leonardo Dias

História, literatura, preservação da natureza e formação sociocultural. A programação de junho do Museu Afro Brasil privilegia diversas modalidades de manifestação cultural de nossos antepassados por meio de linguagens diversas, que variam entre pinturas, fotografias e esculturas.

Além do acervo de longa duração, cujo acervo é formado por peças que têm como objetivo ressignificar a trajetória e a história da população negra no Brasil, alguns destaques da programação são a mostra “Isso é coisa de Preto: 130 anos da Abolição da Escravidão”, que retrata ícones afro-brasileiros dos séculos XIX e XX; e bate-papo com o jornalista e escritor Oswaldo Faustino, no dia 16, no qual ele falará com o público sobre a sua trajetória.

Confira a seguir a programação do Museu Afro Brasil, que está situado no Parque do Ibirapuera (avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 10). O MAB funciona de terça-feira a domingo, das 10h às 17h. A entrada custa R$ 6 e a meia-entrada, R$ 3 - o acesso é grátis aos sábados. Informações: 3320-8900 e www.museuafrobrasil.org.br.

Exposição de Longa Duração (foto)

Com o objetivo de contar outra história brasileira, a mostra visa desconstruir o imaginário criado sobre a população negra baseado na inferioridade criada no decorrer da história e ressignificá-lo, ao transformar em trajetória de prestígio e baseada na igualdade e no pertencimento, reafirmando o respeito pelo povo negro.

Design e Tecnologia no tempo da Escravidão

A reedição de uma das exposições de maior sucesso do museu conta com acervo de mais de 400 peças, composto por objetos de uso doméstico e ferramentas para ofícios rurais e urbanos dos séculos XVIII e XIX.

Um Frans, a natureza (até 10 de junho)

Exposição com obras do fotógrafo, escultor e pintor frans Krajcberg (1921-2017) nas quais ele evidencia a revolta contra a deterioração do meio ambiente.

Um Deoscóredes - 100 anos do Alapini Deoscóredes Maximiliano dos Santos (até 29 de julho)

Exposição desenvolvida em homenagem ao centenário de nascimento de Mestre Didi (1917-2013), Alapini do Ilê Asipa e filho de Mãe Senhora (1890-1967), iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá. Acervo formado por esculturas do artista feitas com materiais como búzios, sementes, couro, nervuras e folhas de palmeira.

Os Africanos – O olhar europeu da fotografia contemporânea (até 29 de julho)

Mostra com acervo formado pelas obras dos fotógrafos Hans Silvester (Alemanha), Isabel Muñoz (Espanha), Alfred Weidinger (Áustria) e Manuel Correia (Portugal), que registraram o cotidiano de povos e manifestações no continente africano.

África Contemporânea (até 29 de julho)

Exposição com pinturas, esculturas, instalações, desenhos e colagens de artistas de países como Moçambique, Benin, Senegal, Angola e Gana, tais como Dominique Zinkpè, Aston, Soly Cissé, Yonamine, Gérard Quenun, Owusu-Ankomah, Oswald, Celestino Mudaulane, Edwige Aplogan, Francisco Vidal e Cyprien Tokoudagba. As obras expostas foram mecanismos encontrados por eles para exposição de suas próprias feridas e acumulações.

África e a Volta dos Espíritos (até 29 de julho)

Mostra com acervo formado por esculturas, máscaras, asens e moedas produzidas em cobre, madeira, tecido, miçangas e fibra vegetal dos povos africanos Guro, Fon, Senufo, Iorubá, entre outras etnias.

Isso é coisa de Preto: 130 anos da Abolição da Escravidão (até 29 de julho de 2018)

Exposição em lembrança aos 130 anos da abolição da escravidão no Brasil na qual o talento, a competência e a resistência da população negra nos séculos XIX e XX são retratados por meio de pinturas, fotografias, litografias, esculturas e desenhos.

Arte Nômade (título provisório, com abertura prevista para 16 de junho)

Exposição individual do artista goianiense Kboco.

Instalação "Más-caras"

Instalação de Ciro Schu na qual as máscaras expostas traduzem um grito e clamor de uma sociedade asfixiada pelo consumo desmesurado de bens.

Visita temática “Festas e Festejos: a presença africana no ciclo junino” (23 de junho, às 14h)

Atividade que retrata as origens de manifestações culturais brasileiras e quais são as matrizes africanas do ciclo junino brasileiro, que visa também apresenta olhar crítico sobre a noção de “folclore”.

Evento gratuito e aberto a todas as idades. Inscrições disponíveis em: bit.ly/2kRAqxY.

Visitas para grupos espontâneos (3, 10 e 17 de junho, às 14h)

Projeto com foco em temas relativos aos núcleos componentes da exposição de longa duração e que abordam história, memória e arte dos brasileiros a partir da perspectiva afro-brasileira.

Atividade gratuita e aberta a todas as idades. Participantes devem chegar 15 minutos antes do início e procurar pelo setor de acolhimento.

Ateliê Aberto "Impressões da Cor" (9 de junho, às 15h)

Oficina de confecção de carimbo e interação com cores diversas. O final prevê participação do público na composição de painel coletivo a partir das impressões coloridas das matrizes produzidas durante a atividade.

A participação é gratuita e o evento é aberto a todas as idades. Não é necessária inscrição prévia.

Projeto Negras Palavras: Encontro marcado (16 de junho, às 10h30)

Atividade na qual o jornalista e escritor Oswaldo Faustino falará com o público sobre a sua trajetória, com destaque a discussões a respeito das relações étnico-raciais. Faustino conversará também com participantes sobre “A Luz de Luiz”, seu novo romance sobre o abolicionista Luiz Gama, cujo mote consiste em “uma fantasia com pinceladas históricas” segundo o autor. Haverá sessão de autógrafos no fim do evento.

Atividade gratuita. Inscrições poderão ser feitas em bit.ly/2LLrZ3y.

Oficina “Bumba Meu Boi!” (16 de junho, às 15h)

Projeto no qual a manifestação cultural bumba-meu-boi visa proporcionar reflexão sobre o processo artístico de produção de conhecimento e imaginário coletivo a partir de confecção e ornamentação do boi.

Atividade gratuita e voltada a todos os públicos, que possibilita também conhecer o acervo do Museu Afro Brasil. Inscrições disponíveis em: bit.ly/2JcOBfM.

Aos Pés do Baobá (30 de junho, às 11h30)

Evento de contação de histórias sobre narrativas africanas ou afro-brasileiras no qual haverá bate-papo conduzido por integrantes do Núcleo de Educação do Museu Afro Brasil.

Atividade gratuita e com inscrições disponíveis em: bit.ly/2JevBxt

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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