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Iniciativa oferece 60 bolsas de 600 reais e também ajuda na realização de projetos e aulas de inglês; candidatos devem se inscrever até o dia 6 de dezembro

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Acervo Pessoal/Larissa Mendes

Estudantes negros matriculados em universidades públicas ou particulares nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador podem se inscrever até o dia 6 de dezembro para a 3ª edição do Programa Prosseguir, do Ceert (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades).

O objetivo é identificar e apoiar potenciais líderes negros na permanência no ensino superior com uma bolsa mensal no valor de R$ 600. Além do dinheiro, o programa oferece curso extracurricular com enfoque em liderança, preparação para o mercado de trabalho, equidade racial e inglês.

“Os estudantes estão na universidade cada vez mais sem recursos porque os programas estão sendo cortados e sem uma possibilidade de articulação em coletivos negros. Nosso intuito é mostrar para a sociedade a importância de prosseguir com as ações afirmativas, auxiliando na trajetória de jovens negros que já estão na universidade”, afirma Daniel Teixeira, advogado e coordenador de projetos do Ceert.

Ingressar na universidade é uma vitória significativa na vida de grande parte das pessoas negras. A permanência na vida acadêmica, principalmente por conta das questões econômicas, é uma pressão cada vez maior. “Além do recurso, é fundamental um espaço de articulação e acolhimento porque esses jovens estão em estruturas universitárias historicamente brancas”, acrescenta Teixeira.

Na primeira edição, o programa teve 30 vagas, e na segunda 50 vagas. A parte extracurricular do Prosseguir tem uma parceria com o programa “Cor da Bahia”, da UFBA (Universidade Federal da Bahia) e da coordenação de diversidades da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Universitários negros que passaram pelo programa

A jovem de 23 anos, Larissa Mendes, está no quinto ano da graduação em Engenharia Civil da USP e mora no Capão Redondo, periferia da zona sul de São Paulo. Ela conta que o programa a ajudou no momento em que mais precisava.

“Eu precisava de motivação para não largar a faculdade. As fases do Prosseguir dão uma preparação para o mercado de trabalho, como saber se comunicar melhor, como aprender coisas novas e ajuda no psicológico para lidar com as barreiras que o racismo coloca e impede a gente de avançar. Foi uma experiência que mudou a minha vida”, relata a estudante.

Larissa conta que o programa a ajudou no planejamento de carreira e no foco dos estudos, que a universitária considerou turbulentos nos primeiros anos do curso, quando tinha muitas matérias de cálculo e se sentia despreparada e deslocada. A mãe ficou desempregada e Larissa teve que conciliar os estudos com trabalhos informais, dando aula de matemática para ajudar em casa.

“Meu desempenho melhorou muito. Antes eu estava sem saber quando ia me formar. Agora eu tenho uma visão bem clara, consegui refazer as matérias que eu tinha reprovado, mesmo no contexto de pandemia”, detalha Larissa.

A trajetória acadêmica de um universitário negro é bastante solitária, conforme lembra a estudante de Letras da UFBA, Alana Silva, de 26 anos. Para ela, o programa foi um diferencial no seu processo de estudos.

“Enquanto mulher negra, de baixa renda e pertencente à uma comunidade periférica, que se encontra fora do eixo econômico e político da cidade de Salvador, minha participação no Prosseguir significou o ganho de um grupo, pois enquanto bolsista minha graduação teve mais qualidade, pude ajudar nas despesas em casa, pude participar de projetos de pesquisa e extensão, ganhei mais repertório para compartilhar com o meu entorno”, pontua a estudante.

Na inscrição, que deve ser feita no site oficial até o dia 6 de dezembro, os candidatos devem enviar um vídeo de até três minutos, histórico escolar e uma redação. Os aprovados começam a receber o auxílio da bolsa a partir de fevereiro de 2021, por um período de 11 meses. A carga horária das atividades extracurriculares é de 20 horas por mês.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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