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Ao todo, 29 leitos foram desativados no Hospital Estadual de Diadema, no Grande ABC; Decisão foi tomada sem compartilhamento com a equipe, afirmam profissionais da ala, em carta aberta 

Texto: Victor Lacerda I Edição: Lenne Ferreira I Imagem: Reprodução/SPDM

O coletivo médico de pediatria do Hospital Estadual de Diadema, no Grande ABC Paulista, denuncia o fechamento da enfermaria do setor no último dia 4 de janeiro. A classe afirma, em carta aberta encaminhada para a redação do Alma Preta, que a ação - executada sem compartilhamento prévio com a equipe - desmonta, ao todo, 29 leitos, destinados a pacientes clínicos e cirúrgicos de especialidades diversas, como neurocirurgia, cirurgia pediátrica, cirurgia de tórax, otorrino e ortopedia. 

A ala de atendimento infantil da unidade, chamada de "Orestes Quércia", é coordenada desde 2015 pelo gastroenterologista pediátrico, Leonardo Camargo. Antes do fechamento, prestava serviços à população local e regiões vizinhas há 20 anos, desde a inauguração do hospital, e recebia pacientes de municípios como Santo André, São Bernardo, São Caetano, Mauá, Ribeirão Pires e da própria capital paulista. A grande procura, de acordo com os profissionais, se justifica pelo fato de a unidade ter especialidades cirúrgicas que não são contempladas por outros hospitais do estado.

Os profissionais da unidade afirmam que, pacientes encaminhados diretamente para a UTI pediátrica, em fase de melhora, ainda poderiam contar com um tempo maior do uso de leito, para um acompanhamento mais eficaz do tratamento, com rondas de observação médica até a alta hospitalar. O mesmo acontecia com pacientes em estados mais leves e com menos riscos à saúde. 

Outro exemplo da importância da unidade, segundo os médicos do setor, aconteceu durante o avanço no número de casos de pessoas acometidas pela COVID-19 no ano passado, quando a mesma enfermaria cedeu espaço para pacientes com suspeita de infecção pela doença.  Usuários do Serviço Único de Saúde (SUS) de regiões mais afastadas de Diadema foram contemplados pelo atendimento do Hospital Estadual, provenientes da baixada santista e do interior de São Paulo. 

Atualmente gerido pela Sociedade Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), o Hospital Estadual de Diadema é referência de especialidades dedicadas à saúde para cerca de 2,4 milhões de pessoas do Grande ABC. Segundo dados levantados pela Secretaria Municipal de Saúde, em 2018, o município apresentou o menor número de mortalidade infantil dos últimos anos, tendo 10,94 casos para cada mil nascidos vivos. O número decresceu a cada ano e pode ser respaldado pela atuação das equipes de saúde do principal hospital do município.

A escassez de especialidades e, por consequência, a superlotação de outras unidades próximas à região é o que vem preocupando o coletivo médico autor da denúncia. Em carta aberta, a equipe formada por 21 médicos, em apoio ao coordenador Leonardo Camargo, ainda levantam diversas dúvidas da classe e os usuários do serviço sobre o fechamento da unidade. Os funcionários temem pelo perfil de pacientes mais carentes de assistência em estado de vulnerabilidade social. 

"Essa é a melhor forma de fazer cortes? A Secretaria da Saúde tem ciência da qualidade do serviço? Compartilharam este risco de fechamentos com os municípios usuários do sistema? Compartilharam esta situação com toda a equipe antes de decidirem autocraticamente?”, questiona a classe.  

Procurada pela equipe de jornalismo do Alma Preta, a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo (SES/SP) afirmou que estava apurando  as informações relacionadas à denúncia e se prontificou em dar a sua versão sobre o caso. 

Após publicação da matéria,  às 19h54, a assessoria enviou a nota a seguir:

“Conforme fluxos do SUS, o atendimento pediátrico é majoritariamente uma atribuição da rede primária de saúde, sob responsabilidade das Prefeituras. Portanto, casos menos complexos devem ser atendidos por serviços municipais. O Hospital Estadual de Diadema mantém a assistência aos casos pediátricos mais complexos, como as UTIs Neonatal e Pediátrica, além das cirurgias infantis e demais atividades compatíveis com seu perfil assistencial, que é de alta complexidade”.

 

 

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