Após uma denúncia de racismo feita por alunos, a Faculdade Cásper Líbero anunciou o desligamento de uma professora. Decisão ocorreu no dia 20 de abril, em reunião do coletivo negro AfriCasper com a diretoria da faculdade

Texto / Runan Braz
Imagem / Victor de Andrade Lopes

Após uma denúncia de racismo feita por alunos, a Faculdade Cásper Líbero anunciou o desligamento de uma professora. A decisão ocorreu em 20 de abril, em reunião do coletivo negro AfriCasper com a diretoria da faculdade.

O episódio relatado ao coletivo aconteceu em 22 de março, quando uma aluna negra do curso de Publicidade e Propaganda, presenciou em sala de aula uma fala da docente que a deixou incomodada.

“Quando fui para a Croácia fazer uma especialização, as pessoas de lá acharam que eu era mulata por ser brasileira. Mas, quando cheguei, eles ficaram desapontados porque eu era ‘normal’”, relata.

Contudo, esse não foi o único comentário preconceituoso expressado pela educadora. A aluna ainda contou ao coletivo, que minutos antes de começar essa mesma aula, a docente olhou o álbum de figurinhas da Copa do Mundo de uma das alunas e ao ver o único jogador branco do time da Nigéria, disse:

“Eu achei que só tivesse preto na Nigéria”. Depois, ela questionou o cabelo de um jogador negro: “Como que ele penteia esse cabelo? Isso aí deve ser um ninho!”

No fim da aula, a estudante e mais três amigos tentaram dialogar com a professora no intuito de repreendê-la sobre esses comentários ofensivos. A professora, por sua vez, disse que não se lembrava do que tinha falado.

Os alunos a relembraram, porém ela alegou um erro de interpretação deles e ainda disse que não existe racismo no Brasil em 2018, pelo fato de que “a Faculdade Cásper Líbero tem muitos alunos negros e conta com alguns professores negros também”.

Após tais declarações, a estudante expôs o seu desapontamento para a professora. Advertiu que, como uma educadora, deveria dar o exemplo e tomar cuidado com o que fala. O desfecho não foi o melhor para a estudante, com mais um ato desagradável: o toque sem consentimento no cabelo da estudante.

A professora falou que gostaria de fazer com a aluna uma coisa que sempre desejou: “tocar no cabelo de um negro”. Ao levar as mãos até o cabelo da aluna, enquanto falava a frase, a aluna se esquivou e disse para a docente não fazer aquilo. Então, a aluna procurou o AfriCasper para relatar o acontecimento e o coletivo se prontificou a tomar as devidas providências. O coletivo anunciou a decisão da faculdade no dia 26 de abril e apresentou a nota confirmando a demissão.

Confira a nota oficial da Faculdade Cásper Líbero na íntegra:

"Após analisar os apontamentos relatados pelo corpo discente e ouvir as partes envolvidas, a Faculdade Cásper Líbero optou pelo desligamento do docente por uso de expressões e atitudes inadequadas. A Faculdade reforça que repudia qualquer atitude de conotação discriminatória e preconceituosa, seja no espaço público ou privado."

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