Com a trajetória marcada pela luta em defesa da população negra e pobre, Claudinho quer ser o “lobby” das periferias na Assembléia Legislativa de São Paulo (ALESP)

Texto / Pedro Borges
Imagem / Acervo pessoal

Claudio Aparecido da Silva, 41 anos, nascido e criado na zona sul da cidade de São Paulo é candidato a deputado estadual pelo PT na cidade. O político construiu toda a sua trajetória nos movimentos negro, periférico e Hip Hop.

Para ele, a maior parte dos deputados estaduais em São Paulo representam o lobby de algum setor importante do mercado, e não o interesse daquelas e daqueles que mais precisam de ações do Estado.

“O setor periférico não tem nenhum lobby lá”, afirma.

O candidato também chama a atenção para a ausência de políticos negros na Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP) e a consequente falta de atenção com demandas urgentes para a comunidade negra.

De acordo com os números da casa, dos 94 deputados estaduais do estado, apenas quatro são negros. No estado, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia, o IBGE, 37% da população é negra e indígena.

“Um mandato que tenta construir um pacto pela redução dos homicídios, um pacto pela redução da vulnerabilidade da juventude negra e periférica, um pacto pela redução do encarceramento em massa, que tem tirado nossa molecada das escolas”.

Entre as principais propostas do candidato estão a construção de um mandato coletivo e compartilhado; atuação na redução da violência letal e simbólica e pelo desencarceramento de nossa juventude; oposição aos retrocessos na educação como a base curricular comum e o escola sem partido; defesa para a destinação de verba para iniciativas empreendedoras nas periferias; e a construção de um Memorial do Hip Hop.

“Estou passando para chamar a atenção de defendermos uma candidatura negra, periférica, que represente efetivamente os nossos anseios, os nossos sentimentos, o sentimento da quebrada e de quem efetivamente vive o que a gente está vivendo”.

Quem é o Preto Claudinho?

Antes dos 10 anos de idade, Claudinho desistiu da escola, fugiu de casa e se tornou morador de rua. Passou pela FEBEM e, ainda muito jovem, aprendeu a se virar sozinho nas ruas da cidade.

O candidato iniciou a vida profissional como engraxate, atividade e ofício que exerceu por dez anos.

Interessado pela política, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) em 1998, e em paralelo a isso, engajou-se com o movimento Hip Hop e militância negra. Em 2015, ocupou o cargo de Coordenador de Políticas para a Juventude do Município de São Paulo, no governo Haddad.

Em sua gestão concretizou a inserção da Casa Angela de Parto Humanizado no Sistema Único de Saúde, articulou a troca da iluminação do Jardim Monte Azul para iluminação de LED - mais econômica e segura para a população - e a readequação e reforma do CDC Monte Azul, beneficiando aproximadamente 300 crianças.

Trabalhou como assessor parlamentar, e foi produtor e assessor de Dexter - rapper de referência no movimento do hip hop. Também é professor da rede pública do município de São Paulo.

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