Iniciativa do coletivo Quilombação incentiva a reflexão sobre a política feita e voltada para os negros além da época das eleições

Texto / Beatriz Mazzei
Foto / Quilombação

Na busca de respostas para a pergunta “O que fazer?” em meio ao momento vivido pelo país, o seminário “Negras e negros na conjuntura política e eleitoral” encheu a sala da APEOESP na região da República, centro de São Paulo na tarde do último sábado (15).

Organizado pela Rede Quilombação, coletivo de ativistas anti-racistas, o evento dialoga com a proposta da Rede de recolocar o negro e a negra como os principais sujeitos da ação política para a transformação da sociedade brasileira.

Para dar base e direcionamento ao seminário, a mesa foi composta por um grupo de intelectuais e ativistas que apresentaram diferentes olhares sobre a atual conjuntura política. Os convidados foram Dennis de Oliveira, professor da USP e integrante da Quilombação, Flávia Rios, professora da Universidade Federal Fluminense, Maria José Menezes, Núcleo de Consciência Negra (NCN) da USP, e Deivison Nkosi, grupo Kilombagem.

Os desafios da esquerda

Abordando aspectos como: segurança pública e o genocídio da população negra, a saúde pública e o papel do SUS para a manutenção das vidas negras e a articulação e estratégias dos partidos em relação aos candidatos negros, o seminário também trouxe o debate acerca das rupturas dentro da própria esquerda brasileira e o que isso significa na conjuntura política. Sobre o assunto, Deivison levantou: “O que é ser de esquerda? O que é a esquerda?”

Para os desafios da esquerda, Zezé, como é conhecida Maria José, destacou a urgência da interseccionalidade nas pautas políticas, para que os avanços também atinjam as mulheres negras, que estão em posição de desigualdade nas estruturas de raça e gênero.

A direita e as soluções

Outro tópico importante do debate foi a ascensão da extrema direita que tenta silenciar o que já foi conquistado pelo movimento negro ao longo desses anos.

Sobre as soluções possíveis para os problemas que atingem diretamente a população negra, a mesa trouxe à tona o racismo estrutural e a necessidade de propostas que atinjam a base.

Os intelectuais também destacaram a importância de uma representatividade que esteja a favor da população negra, não só pela representação, mas em suas estratégias políticas na prática.

“Não é simplesmente a representatividade que resolve o problema. Na política não basta apenas eleger pessoas negras”, diz o professor Dennis de Oliveira.

Coletivo Quilombação

Quilombação é um coletivo de ativistas anti-racistas formado em dezembro de 2013 no Encontro Clóvis Moura de Ativistas contra o Genocídio da População Negra.

O nome do grupo remete ao termo “quilombagem” que é a política feita e organizada pelos negros, que foram os sujeitos colocados nas bases das opressões desde a época da escravidão. Sendo assim, a Quilombação seria a recuperação do projeto da “quilombagem”.

“Somos negros e negras que enfrentam a violência do racismo no dia-a-dia. Que enfrentam a política de genocídio da população negra. Que enfrentam a violência das forças policiais na periferia. Que enfrentam o desrespeito aos direitos humanos mais elementares. Que enfrentam a discriminação no mercado de trabalho, nos meios de comunicação, que são atingidos pela ausência de políticas públicas e de equidade social”, é colocado em trecho do Manifesto- Quilombação.

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