Durante a realização do X Congresso Brasileiro de Pesquisadores Negros (Copene), banheiros foram alvo de práticas racistas e participantes exigem retratação da Reitoria da Universidade Federal de Uberlândia

Texto / Cinthia Gomes e Paola Prandini (AfroeducAÇÃO e Cojira-SP)
Imagem / Divulgação
Vídeo / Paola Prandini

Na manhã desta quarta (17), um grupo de cerca de 100 pessoas que participam do X Copene (Congresso Brasileiro de Pesquisadores Negros), ocuparam o prédio da Reitoria da Universidade Federal de Uberlândia, que abriga o evento.

A manifestação aconteceu em repúdio a pichações racistas em banheiros da universidade, que foram encontrados na última segunda-feira (15). Por causa do feriado, estudantes e funcionários administrativos estavam ausentes do campus até então.

Houve uma caminhada saindo do prédio 3Q, onde apareceu a primeira pichação, até a Reitoria, com a entoação de palavras de ordem, em protesto ao racismo na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Os manifestantes profetizam cantos de indignação, como por exemplo: “Pisa ligeiro, pisa ligeiro, quem não pode com a negrada se esconde no banheiro”!

Na ausência do reitor, após a convocação do movimento, a pró-reitoria da universidade se apresentou ao grupo para ler a nota institucional que havia sido confeccionada no dia anterior. No entanto, participantes do ato exigiram que a nota explicitasse a motivação racista do ocorrido.

Os manifestantes reivindicaram, ainda, que a UFU se comprometa com o cumprimento das leis federais 10.639/03 e 11.645/08, que incluem o ensino de História e de Cultura Africana, Afrobrasileira e Indígena em todos os currículos, e com ações afirmativas de ingresso e permanência na universidade. Também decidiu-se registrar um boletim de ocorrência, bem como atualizar a carta da instituição, atendendo às reivindicações.

As pixações com teor racista ocorrem a 11 dias do segundo turno das eleições presidenciais, em um contexto de diversos ataques motivados por intolerância, como, por exemplo a morte do capoeirista Mestre Moa Katendê que foi esfaqueado e morreu após declarar seu voto em Fernando Haddad e de uma travesti que também foi morta, nesta terça, a facadas em São Paulo, sob gritos de “Bolsonaro”e “Ele Sim”.

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