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Homens negros e mulheres negras são vistos como ameaça e criminosos no imaginário da população; brancos são empresários e pessoas bem-sucedidas

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Cufa e Locomotiva

Uma pesquisa feita pela Central Única das Favelas (Cufa) em parceria com o instituto Locomotiva em 72 cidades brasileiras propôs a análise do perfil de pessoas a partir de fotografias. O resultado mostra que as imagens de pessoas negras e com pele mais escura foram apontadas, pela maioria dos entrevistados, como perfis suspeitos, ameaçadores e de qualificação profissional inferior, independentemente da idade, na comparação com pessoas brancas.

Apenas 7% reconheceu que um homem negro mais velho poderia ser o presidente de uma grande empresa, enquanto 75% apontou o homem branco como o ocupante do cargo de chefia.

Quase metade da população (45%) apontou que o rapaz negro “despertaria mais medo de encontrar na rua”. Na foto aparece um modelo negro, na faixa dos 25 anos, sorrindo. Na mesma situação, apenas 9% dos entrevistados disseram que teriam medo de um jovem branco.

De acordo com a psicóloga Ivani Oliveira, vice-presidente do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, a sociedade racista faz com que as pessoas tenham uma ideia pejorativa do que é ser negro. “Essas imagens permeiam a subjetividade de todas as pessoas. Esse controle das imagens têm sido fundamentais para a manutenção da desigualdade e das injustiças sociais”, diz Ivani.

A psicóloga destaca que os meios de comunicação, comandados por pessoas brancas, são responsáveis pelos estereótipos acerca das pessoas negras. “Apesar de o movimento negro lutar para que as pessoas negras sejam vistas livre de estereótipos, o domínio dos meios de comunicação é dos brancos. Eles impõe uma imagem do branco com características positivas, para a manutenção da sua autonomia e fortalecimento do próprio grupo. Neste contexto, as imagens são produzidas e difundidas para a dominação racial”, explica Ivani.

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(Imagem: Reprodução/Cufa e Locomotiva)

Na análise das fotografias de mulheres, 36% dos entrevistados apontaram que a mulher negra já havia sido presa, enquanto 15% deram a mesma resposta em relação à branca de cabelos loiros. Sobre profissão, 45% disseram que a jovem branca era médica, contra 11% que identificaram a moça negra como médica.

Na comparação com as mesmas fotos, 52% disseram que a garota branca estudou no exterior e só 7% apontaram que a moça negra teria estudado fora do país.

“O referencial do colonizador está colocado em todos os lugares como ideal e isso se perpetua desde a abolição da escravatura. A sociedade brasileira se desenvolve observando corpos negros em posições inferiores ou marginalizados. A televisão aberta e o cinema brasileiro são dois exemplos da construção dos estereótipos distorcidos de pessoas pretas”, pondera o psicólogo e especialista em relações raciais e masculinidades, Everton Mendes, membro do Instituto Afro Amparo de Saúde (IAAS).

A pesquisa, feita em junho com 1.452 pessoas entre 16 e 69 anos e de todas as classes sociais, também abordou questões sobre a situação geral do racismo no Brasil. Os entrevistados disseram que negros têm mais chances de serem abordados violentamente pela polícia (94% das respostas) e poucas chances de conseguirem um emprego (9% das respostas). Por outro lado, o imaginário da população identifica que os brancos têm menos chances de serem mortos pela polícia (6%) e mais chances de fazer faculdade (85%).

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