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Grupo de 12 pessoas do tour que desvenda lugares e personagens negros apagados da história da capital foi abordado como se representasse algum perigo; jornalista líder da iniciativa aponta racismo

Texto: Redação | Edição: Nataly Simões | Imagem: Divulgação

A Caminhada São Paulo Negra, que consiste em um tour por lugares e personagens negros sistematicamente apagados da capital paulista, virou caso de polícia no sábado (24). Policiais militares acompanharam o tour durante todo o trajeto de três horas. No grupo, havia 12 pessoas que foram monitoradas, vigiadas e filmadas como se representassem algum perigo.

Segundo o jornalista Guilherme Soares Dias, que liderava o passeio, os PMs chegaram na primeira parada do grupo pela Praça da Liberdade, no bairro de mesmo nome, e afirmaram que tinham recebido um ofício de que haveria uma manifestação. Os policiais ouviram parte do discurso que contava sobre a história negra do bairro da Liberdade e passaram a monitorar o grupo durante todo o trajeto.

“Perceberam que não fazíamos uma manifestação, nem representávamos perigo, mas decidiram nos coagir durante todo o percurso. Eu fiquei nervoso, esqueci parte das falas, me questionei se estávamos fazendo algo de errado, mas entendi o tempo todo que o nome disso era racismo”, relata Dias, em publicação no Guia Negro.

O jornalista ainda questiona: “Ou vocês já viram grupo de pessoas brancas sendo seguidas? Walking Tours ‘tradicionais’ sendo monitorados?”.

Com as medidas de flexibilização do isolamento social adotadas pela gestão municipal, reuniões pequenas estão permitidas na capital. Shoppings e museus estão abertos e, no caso da Caminhada São Paulo Negra, todos os 12 participantes estavam seguindo os protocolos de prevenção à Covid-19: como usando máscaras de proteção individual.

No último ponto do tour, no Largo do Paissandu, Dias lembra que os policiais militares abordaram o grupo novamente. Eles perguntaram sobre uma suposta manifestação e pediram que as pessoas assinassem um documento, com nome e número do RG.

“Não o fizemos. As pessoas que acompanhavam a caminhada nos apoiaram e fomos embora sem precisar dar mais explicações de estar fazendo um tour na rua. Não dá para achar que isso é normal. Lembra a lei da vadiagem que não permitia que pretos andassem em bando pós-escravidão”, conta o jornalista.

O Alma Preta procurou a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) e questionou o motivo da perseguição da Polícia Militar. Até a publicação deste texto, a pasta vinculada ao governo estadual não se posicionou.

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