Carnaval fez uma crítica à escravidão e ao racismo existente no país. Samba também questionou o momento vivido pelo Brasil, de avanço das pautas neoliberais. A campeã do carnaval foi a Beija-Flor de Nilópolis.

Texto / Pedro Borges
Foto / Mídia Ninja

A Escola de Samba Paraíso de Tuiuti terminou o carnaval do Rio de Janeiro em 2° lugar, com o enredo histórico “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”. O desfile, com a participação do carnavalesco Jack Vasconcelos, apresentou na avenida uma crítica à escravidão, ao racismo e ao avanço do conservadorismo no Brasil. A vencedora do carnaval foi a Beija-Flor de Nilópolis com 269.6, um décimo a mais da Paraíso de Tuiuti, que ficou com 269.5.

O desfile fez da Escola de Samba Paraíso de Tuiuti ficar entre os temas mais comentados no Twitter no Brasil. O samba apresentou coreografia marcante, com um vampiro simbolizando o presidente Michel Temer, e uma comissão de frente que remetia à escravidão no país.

Com 29 alas, cinco alegorias e um tripé divididos entre 3.100 integrantes, a escola desfilou por uma hora e quinze minutos. A comissão de frente foi o ponto alto do desfile. Chamada de “O grito da liberdade”, a ala representou pessoas negras escravizadas, suas dores e sua cura por meio do Preto Velho, símbolo de esperança, fé e amor. A alegoria saiu da avenida com aplausos e gritos de “Fora Temer” do público.

Entre as referências bibliográficas utilizadas para a construção do samba enredo, estava a obra do teórico Clóvis Moura, “Dicionário da Escravidão Negra no Brasil”. Clóvis Moura é um dos principais intelectuais do movimento negro no país.

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