fbpx

Ao Alma Preta, família criticou a escola vencedora do carnaval; “Nós não tivemos participação nenhuma”, diz pai de Marielle

Texto / Simone Freire
Imagem / Getty Images

Vencedora do carnaval 2019 no Rio de Janeiro, a escola de samba Primeira Estação Mangueira levou para o sambódromo da Sapucaí um enredo crítico à história “oficial” do Brasil.

A escola desfilou no início da manhã de terça-feira (4) e propôs recontar a trajetória histórica do país, desconstruindo os heróis emoldurados e evidenciou a luta e resistência do povo negro e indígena brasileiro com as trajetórias de mulheres negras como Acotirene, matriarca do Quilombo dos Palmares, e Adelina Charuteira, da campanha contra a escravidão no Maranhão.

Entre as mulheres negras homenageadas pela escola esteve a ex-vereadora Marielle Franco, assassinada em 14 de março, no Rio de Janeiro (RJ). Com menção aos “heróis dos barracões” como Leci Brandão e Jamelão, o samba-enredo exaltou o legado deixado pela parlamentar: “Brasil, chegou a vez / De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês”.

O desfile da Mangueira contou com a presença da viúva da vereadora, Mônica Benício, que desfilou na última ala da escola. Já a família de Marielle, desfilou na escola de samba Vila Isabel.

Segundo o pai de Marielle, Antonio Francisco da Silva Neto, em nenhum momento a família recebeu qualquer convite para participar do desfile da verde e rosa.

“O nome da Marielle consta nos samba enredo da Mangueira, mas ninguém da Mangueira veio falar com a família de Marielle. Para o pessoal da Mangueira, a família da Marielle é a ex-companheira e o pessoal do partido [Psol] porque nós não fomos a nenhum ensaio da Mangueira. Nós não tivemos participação nenhuma, ninguém nos procurou”, disse.

Ao jornal Extra, Leandro Vieira, carnavalesco da Mangueira, afirmou que o fato da Vila Isabel ter chamado primeiro os familiares da parlamentar para seu desfile impediu que a Mangueira fizesse um novo convite, já que a convocação poderia gerar desconforto entre as agremiações.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

Apoie o Alma Preta e nos ajude a continuar contando todas essas histórias.

Vamos fazer jornalismo na raça!

Sobre o Alma Preta

O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

Contato

E-mail
jornalismoalmapreta(@)gmail.com