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Crianças da comunidade de Chão de Estrelas, na zona norte da cidade, protagonizam campanha itinerante no mês de outubro

Texto: Victor Lacerda | Edição: Nataly Simões | Imagem: Andrea Leal

No mês dedicado às crianças, os ônibus que integram a frota em circulação da Grande Recife, região metropolitana da capital pernambucana, recebem a exposição fotográfica “Por uma infância sem racismo”. A campanha, que começou em 16 de outubro e vai até o dia 31, é fruto de uma parceria entre o Instituto Luz Natural, instituição sem fins lucrativos que utiliza a fotografia como ferramenta de mudança social, e o Centro de Educação e Cultura Daruê Malungo, fundado há mais de 30 anos pelo mestre de capoeira Meia-Noite.

Coordenado pela produtora Vilma Carijós, o Daruê Malungo acolhe mais de 50 crianças da comunidade de Chão de Estrelas, na zona norte do Recife. A mostra itinerante foi idealizada pela fotógrafa Andréa Leal, que trouxe a temática relacionada à campanha lançada pelo Unicef para alertar sobre os impactos do racismo na vida de milhões de crianças e adolescentes brasileiros. Além de visar a necessidade de uma mobilização social que assegure o respeito e a igualdade étnico-racial desde a infância, convidando cada trabalhador e usuário do transporte público para a luta.

O trabalho artístico reuniu 12 alunos do Centro de Educação e Cultura Daruê Malungo para que mostrassem seus protagonismos e suas histórias de luta contra o preconceito, por oportunidades, resgate da autoestima e valorização de suas raízes culturais.

“Preconceito é não respeitar cor, religião. Eu já sofri preconceito na escola porque danço afoxé. Disseram que era pra gay. Respondi que é uma dança afro e que não é só para menina. Eu gosto de dançar afoxé, me sinto livre. Também gosto de arte, de pintura. Aprendi a respeitar as religiões africanas. Hoje eu fiz uma homenagem ao orixá Xangô. Para mim, ele significa força. Me senti forte também”, afirma Rian Lucas da Silva Carvalho, de 10 anos.

ryanAs imagens feitas para a campanha também deram origem a um foto-livro que integra o projeto “Toda Criança é Especial”, cujo lucro da venda será revertido para a ONG Daruê Malungo, que realiza um trabalho socioeducativo e de resgate da cultura popular e negra por meio de oficinas de danças afro e popular, artes plásticas, percussão, canto, hip hop, leitura, cidadania, entre outras e sobrevive com ajuda de voluntários e doações. O álbum também traz depoimentos das crianças ou dos pais e repassa 10 atitudes que cada um pode tomar para contribuir para uma infância sem racismo.

Homenagem a Miguel

A iniciativa acontece também em homenagem ao menino Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, morto no dia 2 de junho de 2020 após cair do 9º andar de um prédio de luxo no Centro do Recife. A criança estava sob os cuidados de Sarí Côrte Real, patroa de sua mãe, trabalhadora doméstica que havia levado o cachorro dos donos da casa para passear.

O caso foi citado pela ONU (Organização das Nações Unidas) como um exemplo de “racismo sistêmico”, em contexto de pandemia, no mês passado.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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