Quem esteve no Rio de Janeiro na terça-feira (20) presenciou mais uma demonstração de indignação popular com a execução da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Pedro Gomes.

Texto / Da Redação
Foto de capa / Mídia Ninja 

A manifestação "Marielle Vive" reuniu dezenas de milhares de manifestantes e foi concluída, novamente, na Cinelândia, onde fica a Câmara Municipal do Rio de Janeiro, com um ato inter-religioso, reunindo católicos, umbandistas, judeus, muçulmanos, candomblecistas, evangélicos e anglicanos.

A manifestação começou às 17h em frente à estigmatizada Igreja da Candelária e encheu de povo o Centro da capital fluminense, terminando com o ato inter-religioso às 19h, na Cinelândia.

Diante das largas faixas da Avenida Presidente Vargas, os militantes pararam o trânsito e fecharam a Avenida Rio Branco para protestar em tom emocionado.

Ainda paira no ar o choque com o crime que vitimou Marielle e Anderson, uma tragédia cujas circuntâncias ela denunciou em vida em sua carreira política e militante. Sua imagem representativa foi lembrada em homenagens no mundo todo ao longo dos últimos seis dias, que também foram marcados por disputas virtuais e multiplicação de notícias falsas a seu respeito.

Na Cinelândia, em um palco montado em frente à Câmara, a multidão pôde acompanhar discursos e homenagens de artistas, militantes e dos representantes dos segmentos religiosos presentes. As famílias de Marielle Franco e Anderson Gomes estavam no palco, e foram aplaudidas com entusiasmo pelos que ali, de certa forma, compartilharam a dor e o símbolo.

Multidão homenageia a verdade e o legado da vereadora

Na quinta-feira (15), uma manifestação espontânea também tomou as ruas do Centro ainda no calor da tragédia ocorrida menos de 24 horas antes da manifestação. Após um dia todo de vigília, o povo se reuniu na Assembleia Legislativa do Estado, e marchou até a Cinelândia em um volume que só se repetiu nesta terça-feira (20). Entre os presentes, estavam a poetisa Elisa Lucinda, Frei David, Leonardo Boff, além da mulher negra e vereadora mais votada de Niterói-RJ, Talíria Petrone, também do PSOL.

Dezenas de milhares de pessoas saem às ruas novamente para ato inter-religioso pro Marielle Franco e Anderson Gomes no Rio de Janeiro (FOTO: Solon Neto)

A semana entre as manifestações foi marcada por disputas de narrativas travadas principalmente dentro da internet. A projeção tomada pelos protestos e pela imagem combativa de Marielle Franco como mulher negra e de esquerda incomodou setores da sociedade, cindida pelas disputas políticas ensejadas desde o golpe de 2016.

A sanha do racismo e do machismo deu novamente as caras, e ao longo de toda a semana houve desgaste para rebater as mentiras tão inoportunas. Muitos militantes, artistas e pessoas comuns se engajaram nessa disputa, renovando as energias diante de ruas repletas de solidariedade. Foi marcante, novamente, a presença dos movimentos sociais de cunho anti-racista e feminista, defendendo posições que também eram da vereadora.

Com o volume da manifestação, pode-se projetar a ideia de que as narrativas falsas não venceram, e a indignação continua habitando o coração das pessoas.

Atos e debates seguem ao longo da semana no Rio

No domingo (18), um ato saindo do complexo de favelas da Maré, onde Marielle Franco foi criada, fechou a linha amarela, uma das principais vias expressas do Rio de Janeiro. Novas manifestações estão marcadas para esta semana. Nesta quarta-feira (23), Niterói-RJ tem uma manifestação marcada nas escadarias  da Câmara Municipal da cidade, em memória a Marielle e ao dia Internacional de Combate à Discriminação Racial. Confira o evento no Facebook aqui.

Já na quinta-feira (22), um debate do coletico Ruah no Insituto Rose Marie Muraro, no Rio de Janeiro-RJ. O debate "Mulheres Negras movendo as estruturas do Cristianismo" contará com a presença de Liz Guimarães (Pedagoga e Missionária) e Fabíola Oliveira (Educadora Social e Missionária), integrantes do coletivo "Pretas Cristãs da Resistência". Confira o evento no Facebook aqui.

 

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