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Maioria nos bairros pobres, paulistanos negros são os mais atingidos pela falta de emprego com carteira assinada, espera por atendimento médico e acesso à cultura; veja os dados

Texto / Nataly Simões | Edição / Pedro Borges | Imagem / Coletivo Di Campana

Na cidade de São Paulo, a diferença nos indicadores de moradia, emprego formal, expectativa de vida, espera por consulta médica e acesso à cultura é marcada pelo fator racial. É o que mostra os indicadores do Mapa da Desigualdade, divulgado nesta semana pela Rede Nossa São Paulo.

A maior cidade do país possui 12 milhões de habitantes. Desse total, 32% se identificam como pretos ou pardos, categorias classificadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como negros.

As regiões mais pobres concentram a maior parte da população negra. Mais de 50% dos moradores são negros no Jardim Angela, Capão Redondo, Parelheiros, Grajaú, Lajeado, Cidade Tiradentes, Itaim Paulista, Jardim Helena, Vila Curuçá, Guaianases, Pedreira, Jardim São Luís, Iguatemi, Brasilândia e Anhanguera.

Nas regiões mais ricas, o número de moradores negros não ultrapassa a faixa de 13%. Os distritos com menos moradores negros são Moema, Itaim Bibi, Vila Mariana, Jardim Paulista, Perdizes, Alto de Pinheiros, Lapa, Consolação, Pinheiros, Saúde, Santo Amaro, Tatuapé, Mooca, Água Branca e Campo Belo.

Carteira assinada

A taxa de emprego formal, com carteira profissional assinada e benefícios, é de 6,7 na média da cidade. Quanto maior a taxa, melhor o nível de emprego. Nos distritos com mais pessoas negras, a taxa de formalidade é de 0,79.

A Cidade Tiradentes concentra o menor número de trabalhadores formais, com taxa de 0,24. Em seguida está Iguatemi (0,35), Anhanguera (0,40) Brasilândia (0,47) e Jardim ngela (0,50).

Já nos distritos com menos pessoas negras, a taxa de empregos formais é maior que a média da cidade e chega a 11,7. Itaim Bibi lidera no número de trabalhadores formais, com 34,6, seguido por Santo Amaro (21,48), Pinheiros (17,9) e Lapa (17,3).

Expectativa de vida

Na capital paulista, a população vive em média 68,7 anos. Esse número cai para 60,4 anos nos bairros que concentram o maior número de negros. A menor taxa está no Grajaú, na zona sul, com 58,6, acompanhado de Anhanguera (58,8) e Jardim Angela (58,9).

Nos distritos com menos negros, a média de idade ao morrer sobe para 77,8 anos. A maior longevidade é a do morador de Moema, com 80,5. Seguido por Jardim Paulista (79,8) e Consolação (79,4).

Espera por consulta médica

O morador de São Paulo espera, em média, 4,4 dias por uma consulta no Programa Saúde da Família. Nos bairros mais negros e pobres, como Guaianases, o tempo médio é de até 13,27 dias. Em seguida está Brasilândia (9,87 dias) e Lajeado (9,39). Enquanto nos bairros mais brancos e ricos, a espera é de 1,69 dias. A demora por atendimento em nenhum dos bairros chega a 6 dias.

Acesso à cultura

A taxa de acesso a equipamentos públicos de cultura como centros culturais, teatros e museus é de 1,3 para cada 100 mil habitantes de bairros com maior número de moradores negros.

O pior índice é o do Jardim ngela, com 0,61, seguido por Parelheiros (0,68) e Grajaú (0,79). Nos bairros mais brancos, o índice é de 4,7 para cada cem mil habitantes. A maior taxa é a da Consolação (19,9), Lapa (11,9) e Pinheiros (7,5).

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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