Para barbeiros, filmes e séries colaboram ao mostrar novos cortes e opções de estilo aos homens negros vitimizados pelo racismo

Texto / Lucas Veloso | Edição / Pedro Borges | Imagem / Divulgação 

Poucos dias depois que o filme Pantera Negra estreou no Brasil, um cliente pediu para o seu barbeiro fazer os dreadkocks do personagem Erik Killmonger, interpretado por Michael B. Jordan.

O profissional procurado para o corte é Bruno Francisco de Rezende, mais conhecido como Bruno Matsolo, morador de Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Para ele, episódios como esse são exemplos de como a barbearia serve para melhorar a autoestima dos homens negros.

“Não é mais necessário alisar os cabelos para sermos aceitos. Hoje o cabelo crespo é artigo de luxo, de realeza. Nós, homens pretos, somos público assíduo em barbearias”, define. “Gostamos muito de fazer o corte ‘da moda’, o que nos inspira coragem e motivação para viver com qualidade.

O barbeiro Emerson Leite concorda que filmes e séries colaboram no sentido de visibilizar o estilo afro e mostrar possibilidades de cortes a quem assiste. Como exemplos recentes, ele cita a série Sintonia, da Netflix, lançada no começo de agosto. O filme Pantera negra também foi lembrado. “Os filmes trazem impacto na sociedade fazendo com que os negros busquem ali uma referência de corte, barba e estilo”, completa.

“Sintonia trabalha muito a questão do público negro e traz diversos cortes, como dreads e faded e tranças. Já o ‘Pantera’ ajudou muito nas barbearias. As pessoas pediram muito os cortes, como os dreadlocks, inclusive”, exemplifica. “Esses cortes já existiam, mas a procura aumentou”.

“Nos últimos anos, a barbearia se tornou o melhor local para os homens negros cuidarem da aparência. O nosso trabalho ajuda muito na autoestima do cliente que chega até nós atrás de um corte, um estilo diferente”, analisa.

Matsolo corta cabelos desde 2016. Nas redes sociais, criou o perfil ‘barbeiroafricano’ porque não encontrou conteúdo sobre barbearia para negros durante o curso profissional que fez.

“Fiquei insatisfeito com a falta de resultados e resolvi buscar pelas nossas raízes africanas. Comecei a buscar referências negras no ramo da barbearia e criei a conta, utilizando postagens e traduzindo os conteúdos”, relembra.

Segundo ele, o racismo atinge os negros no mundo todo, mas a ancestralidade colabora para que a população afro tenha referências de beleza, no campo profissional e pessoal. “Saber que temos dores em comum é triste, porém é revigorante saber que temos a cura, o nosso passado”, reflete. “É só procurar saber o poder da nossa melanina. O porquê de sermos tão odiados e inferiorizados”.

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