Nascido no Rio de Janeiro, escritor pré-modernista nascia há 138 anos, em 13 de maio de 1881

Texto / Simone Freire | Imagem / Reprodução

“Por esse intrincado labirinto de ruas e bibocas é que vive uma grande parte da população da cidade, a cuja existência o governo fecha os olhos, embora lhe cobre atrozes impostos, empregados em obras inúteis e suntuárias noutros pontos do Rio de Janeiro.”
(Lima Barreto)

Autor da conhecida obra “Triste Fim de Policarpo Quaresma", Afonso Henriques de Lima Barreto, o Lima Barreto, nasceu em 13 de maio de 1881. Poucos anos depois, ainda jovem, comemoraria seu aniversário em uma das datas mais marcantes e emblemáticas da história brasileira: a abolição da escravatura.

Neto de negros escravizados e filho de pais livres, não à toa, toda sua obra literária foi marcada por um tom crítico em relação às estruturas políticas da época - Primeira República -, investigando as desigualdades e relações sociais. Além disso, tem sua obra e trajetória marcadas pelas ações política de embranquecimento do período.

“A capacidade mental do negro é medida a priori, a do branco a posteriori”, escreveu em seu Diário, em 1904, oferecendo um retrato do teor racista que era mantido no país nos primeiros anos após o fim do regime escravocrata.

Além de escritor, com uma vasta publicação de romances, sátiras, contos e crônicas, também foi jornalista publicando em revistas populares ilustradas e periódicos anarquistas do início do século XX) e funcionário da Secretaria do Ministério da Guerra, onde de aposentou.

Entre as suas principais obras destacam-se Recordações do escrivão Isaías Caminha (1909), Numa e ninfa (1915), Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá (1919), Os bruzundangas (1923), Clara dos Anjos (1948), Diário Íntimo (1953) e Cemitério dos Vivos (1956).

Mas a sua obra mais lembrada é “Triste Fim de Policarpo Quaresma", considerada sua obra-prima. Nesse romance, o autor narra os ideais e as frustrações do funcionário público, Policarpo Quaresma, homem metódico e nacionalista fanático. Sonhador e ingênuo, Policarpo dedica a vida a estudar as riquezas do país. Além da descrição política do final do século XIX, a obra traça um rico painel social e humano dos subúrbios cariocas na virada do século.

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