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Ato reuniu cerca de mil pessoas e pautou queda do presidente Bolsonaro; próximo protesto terá ato ecumênico

Texto: Pedro Borges e Guilherme Soares Dias | Imagem: Pedro Borges

Uma nova manifestação antirracismo ocorreu neste domingo (28) na Avenida Paulista, em São Paulo, reunindo torcidas organizadas, movimentos negros, de mulheres, da periferia, pró-Palestina e partidos políticos de esquerda. Cerca de mil pessoas acompanharam o ato que também fazia a defesa da democracia e pedia a queda do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Apesar de ter menos pessoas, segundo os organizadores, o protesto faz parte de um processo importante de continuidade dos movimentos nas ruas.

“É um protesto pelo descaso do governo. Ter movimentos sociais, que representam os pretos, é uma forma uma união para acabar com esse governo nefasto. Somos democracia é um guarda-chuva que tem como foco discutir os problemas de toda a sociedade”, diz Alex Minduim, presidente da Associação Nacional das Torcidas Organizadas, referindo-se ao dia do Orgulho LGBTQIA+, que foi lembrado de maneira tímida durante o ato.

Minduim destaca que as torcidas organizadas também passam por violência nos dias de jogos. “O foco da mídia é sempre falar da pequena parcela que se envolve em atos violentos, não as pessoas que sofrem violência dentro e fora do estádio”, ressalta. Já Danilo Pássaro, coordenador do movimento Somos Democracia, da torcida organizada Gaviões da Fiel, do Corinthians, lembra que é importante os movimentos sociais se manterem nas ruas. “Essa é a primeira vez que as bases bolsonaristas tem se mantido na defensiva. Agora, são os grupos evangélicos que tem mantido o governo por ter projeto de poder contra o estado laico, por isso, vamos fazer um ato ecumênico”, ressalta.

De acordo com Pássaro, o atual governo “roubou os direitos e a possibilidade de estar na rua, por isso, a importância de defender o povo brasileiro”. Entre os manifestantes estava o aposentado Elias Geraldo Costa Rosa, que ressaltou a importância de falar por pessoas que morreram assassinados. “O presidente só pensa nele a na família dele. Precisamos lutar pelos nossos”, ressalta ele, que é figura frequente nos atos e segurava um cartaz em inglês dizendo que "tem sonho de um mundo sem racismo e com respeito à mulheres e crianças". Alguns manifestantes seguravam desenhos com rostos de crianças negras que foram assassinadas pela polícia nos últimos meses. Líderes do Partido da Causa Operária (PCO) empunhavam bandeiras, contrariando a organização do evento de não partidarizar o movimento.

A maior parte dos participantes usavam máscaras para prevenir a disseminação da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Antes de começar a manifestação, a Polícia Militar orientou os líderes das torcidas organizadas. Apenas uma das vias da Avenida Paulista foi fechada e o ato manteve-se em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), onde começou. A manifestação começou às 14h e terminou às 16h, sem incidentes. O próximo ato deve ocorrer em 12 de julho com a realização de um ato ecumênico, reunindo líderes da igreja católica, mulçumanos, evangélicos e religiões de matriz africana. No dia 25 de julho, quando é lembrado o dia da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, deve se repetir.

Esse é o quinto protesto consecutivo pelo fim do racismo, que ocorrem a cada domingo em São Paulo. Na semana passada (21), o protesto começou na Praça Franklin Roosevelt, Bela Vista, região central, além de Brasília. O ato em São Paulo seria na avenida Paulista, mas os manifestantes precisaram mudar o local em razão de uma decisão judicial que implicaria multa nos participantes. No dia 14, o ato ocorreu na Avenida Paulista e reuniu cerca de 2 mil pessoas. A maior manifestação foi em 7 de junho, quando o Largo da Batata, em Pinheiros, recebeu atos contra o racismo e em defesa da democracia. A primeira manifestação ocorreu na Avenida Paulista em 31 de maio. 

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