Texto: Jéssica Moreira, do Nós, Mulheres da Periferia / Imagem: Divulgação

O principal objetivo é discutir e contestar estereótipos construídos pela mídia; o lançamento acontece dia 21 de novembro no Centro Cultural da Juventude (CCJ)

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O Coletivo Nós, mulheres da periferia, grupo de comunicadoras que propõe promover a representatividade e o protagonismo feminino, com um recorte de classe e raça, abre no dia 21 de novembro a exposição multimídia QUEM SOMOS [POR NÓS], no Centro Cultural da Juventude (CCJ), Vila Nova Cachoeirinha, zona norte de São Paulo. A proposta é inédita e usa a fala das mulheres como elemento artístico, além de ter sido criada de forma coletiva durante oficinas realizadas em diferentes bairros das periferias de São Paulo.



renata2 Renata Ribeiro, 17 anos, moradora do bairro de Perus (região noroeste de São Paulo), uma das entrevistadas e produtoras da Exposição “quem somos [por nós]”.

No mesmo dia, haverá um debate com as idealizadoras e produtoras. A instalação permanece em cartaz até o dia 17 de dezembro. A exposição será um convite para adentrar ao mundo das mulheres da periferia a partir de suas próprias perspectivas. Com fotografias, autorretratos e registro audiovisual, a mostra é resultado de quatro meses de encontros do projeto Desconstruindo Estereótipos, que percorreu seis bairros da capital paulista. A iniciativa é financiada pelo Programa de Valorização das Iniciativas Culturais (VAI), da Prefeitura de São Paulo.


Neste período, mais de 100 mulheres foram envolvidas, entre 17 e 92 anos, com predominância de negras, contemplando a intersecção entre classe, raça e gênero. A dinâmica envolveu debates, exercícios e ensaios com máquinas fotográficas e telas de pintura. O intuito foi abrir um espaço de troca de percepções, em parceria com associações e escolas públicas, sobre as abordagens jornalísticas, publicitárias e de programa de entretenimento sobre o ser mulher na periferia,  com foco na construção de um novo lugar de fala.

Manoela Gonçalves, idealizadora da Casa das Crioulas (Perus), uma das entrevistadas e produtoras da Exposição “quem somos [por nós]” Manoela Gonçalves, idealizadora da Casa das Crioulas (Perus), uma das entrevistadas e produtoras da Exposição “quem somos [por nós]”

Em um segundo ciclo do processo, nove destas mulheres foram entrevistadas individualmente, em vídeo, e de forma mais aprofundada. Os discursos, majoritariamente, refletem o desafio de enfrentar uma sociedade racista, machista e socialmente desigual, mas também a irreverência, força e os embates necessários para sobreviver neste ambiente.

A instalação promove um diálogo entre narrativas femininas dos bairros Campo Limpo (ZS), Capão Redondo (ZS), Jardim Romano (ZL), Jova Rural (ZN), Guaianazes (ZL) e Perus (Noroeste), todos na capital de São Paulo. A proposta é extrapolar as paredes da casa, lugar historicamente destinado à mulher, mas que também representa limitação, e inspira novos canais para a repercussão da luta e sobrevivência de mulheres como Rosana Alves de Castro, uma das entrevistadas e produtoras da exposição, que ainda “só vê mulher da periferia na página policial”.

Com a exposição QUEM SOMOS [POR NÓS], o coletivo Nós, mulheres da periferia busca ultrapassar sua atuação no campo virtual e encontrar formas de atingir um público maior, ocupando espaços públicos e de convivência, tornando o acesso a esses discursos ainda mais próximos do dia a dia.

Serviço
Exposição QUEM SOMOS [POR NÓS]
Abertura: 21/11, sábado, 15h.
Visitação: de 21/11 a 17/12, de terça a sábado, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h às 18h.
Local: CCJ – Centro Cultural da Juventude
Endereço: Avenida Deputado Emílio Carlos, 3641 – Vila Nova Cachoeirinha, São Paulo – SP, 02720-20
Informações: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Sobre o coletivo
O coletivo Nós, mulheres da periferia é formado por oito jornalistas e uma designer, todas moradoras de bairros da periferia do município de São Paulo e por meio de um site e redes sociais produz e divulga conteúdo sobre e para as mulheres da periferia de São Paulo. O coletivo propõe reduzir o espaço vazio existente na imprensa e a falta de representatividade, buscando mais protagonismo e visibilidade. A proposta do coletivo é construir um espaço com informações que extrapolem a questão de gênero a atinja o campo social e étnico. Saiba mais em http://nosmulheresdaperiferia.com.br
Facebook: https://www.facebook.com/nosmulheresdaperiferia

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