Influenciada pelas crenças africanas, a orixá também é conhecida por Nossa Senhora Aparecida

Texto / Lucas Veloso | Edição / Simone Freire | Imagem / Reprodução / Luma Nascimento

Neste domingo, 8 de dezembro, celebra-se o dia de Oxum. Conhecida como a deusa do amor, orixá das águas, Oxum é aquela que mantém em equilíbrio as emoções da fecundidade e da natureza. Ela é a mãe gentil dos povos antigos e dos novos, é ela que renova e intercede pelos seres humanos em todas as situações.

Também conhecida como Osúm, Osún ou Oxun, ela é a representação da sensibilidade, da delicadeza feminina e da paixão para motivar a essência da vida. Mamãe Oxum adora as águas calmas e é através de sua energia que ela tranquiliza os corações dos apaixonados.

De acordo com a artista, ilustradora e performer Sheyla Ayo, da nação Jeje Nago e culto Ifá, filha de Cátia Ferreira de Afonjá, a importância de Oxum é imensa, “principalmente às mulheres que cultivam sua força interior, garra, determinação e poder de feitiço”, explica. “Oxum está em todas as mulheres”, diz.

Por ter recebido o título como a Orixá do amor, é ela a mais procurada para as questões de união e relacionamentos. Todos aqueles que procuram por paz e estabilidade em uma relação, podem pedir à Oxum a sua benção para essa questão.

Orixás

Os orixás são ancestrais divinizados pelo candomblé, religião trazida da África para o Brasil, durante o século XVI, pelo povo iorubá. Entre os vários orixás estão Ogum, dono do ferro e do fogo, defensor da lei e da ordem, abre caminhos e vence as lutas, protegendo os mais fracos.

Exu é o senhor do princípio e da transformação. É a figura mais importante da cultura iorubá, o guardião das aldeias e cidades. Na religião cristã, é confundido com Satanás. Já Iansã é uma guerreira, rainha da tempestade, dos ventos e dos raios. Existe também Iemanjá, a deusa dos mares e dos oceanos, muito festejada no Brasil, por povos de diversas religiões. É a padroeira dos pescadores e também a deusa do amor.

Sincretismo

No Brasil, cada orixá foi associado a um santo da Igreja Católica, numa prática que ficou conhecida por sincretismo religioso. Cultuada no candomblé e na umbanda, Oxum é sincretizada como Nossa Senhora da Conceição, na maioria dos estados brasileiros.

Para Sheila, o país não valoriza a importância das crenças influenciadas pela África. “O Brasil ainda caminha a passos lentos, mas o que me deixa feliz é ver os ilês [templos afro-brasileiros] cheios de gente jovem, entendendo e pesquisando o candomblé e outras religiões de matriz africana. Isso me dá esperança e me renova”, completa.

Preconceito

O número de denúncias de discriminação religiosa contra terreiros e adeptos de religiões de matriz africana, como umbanda e candomblé, aumentou 5,5% em 2018 em relação a 2017 no Brasil. Foram 152 casos em 2018, contra 144 em 2017. Os dados são do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH).

Já o número de denúncias de discriminação religiosa contra adeptos de outras religiões, excluindo as de matriz africana, caiu 9,9% no mesmo período, de acordo com o governo. Foram 354 em 2018, contra 393 em 2017.

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