Houve diminuição da pobreza entre os negros, mas isso não pode ser vinculado com a diminuição do racismo, aponta estudioso

 Texto / Lucas Veloso | Edição / Pedro Borges | Imagem / Divulgação

De acordo com a conclusão da pesquisa "A desigualdade racial da pobreza no país", a chance de uma pessoa negra ser pobre é o dobro da de alguém branco.
O levantamento, divulgado nesta semana pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, órgão de pesquisa do governo), foi baseada em dados de 2004 a 2014.

Segundo os números, na década, houve redução da pobreza dentro da população preta, parda e branca, mas isso não quer dizer que os índices não estejam elevados, sendo que os mais prejudicados neste cenários são os negros.

Em 2004, os pretos tinham 2,5 mais chances de serem pobres do que os brancos. Neste novo levantamento, a probabilidade caiu para 2,1 vezes. Apesar da queda de 16% em 10 anos, a chance das pessoas pretas serem pobres continua sendo o dobro da de brancos.

No caso de pardos, a perspectiva era 3,2 vezes maior que a de brancos em 2004 e caiu para 2,6 vezes em 2014. Para o IBGE, pretos e pardos formam o grupo racial negro.

“A desigualdade racial da pobreza é persistente – os indicadores de pretos e pardos em 2014 eram da mesma ordem de grandeza que os dos brancos em 2004”, aponta a pesquisa.

Dentre os fatores que impulsionaram a melhoria nas condições de vida da população brasileira estão o aumento do emprego na década, a expansão das políticas de transferência de renda, como o Bolsa Família, além de maior escolarização da força de trabalho e valorização real do salário mínimo.

Mesmo com a diminuição na pobreza, o pesquisador Rafael Osorio não vincula a queda com a tese de que o preconceito racial afetou menos as pessoas negras. “Esse é um fenômeno complexo. Por isso, não é possível afirmar que teriam diminuído as consequências do racismo, do preconceito e da discriminação sobre o bem-estar de pretos e pardos”, explica Osorio.

O estudo considerou dentro da faixa da linha de pobreza pessoas com renda entre 0,10 dólares e 10 dólares diários. O valor usado para o dólar é de R$ 5,05.

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