Coletivo Negro Carolina de Jesus é uma das principais organizações políticas universitárias do país. Aniversário de 4 anos do grupo acontece neste sábado, no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro

Texto e imagens / Pedro Borges

O Coletivo Negro Carolina de Jesus (UFRJ) celebra o seu aniversário de 4 anos no dia 23 de Junho, sábado, das 15h à 0h, na Casa Alto Lapa Santa (rua Joaquim Murtinho, 654, Santa Teresa). Nomeado como “Mostra da Fertilidade Preta”, o evento busca exaltar a vida e a fertilidade do povo negro na diáspora.

Caroline Amanda Lopes Borges, uma das fundadoras do grupo, conta que as expectativas para a atividade de sábado são excelentes.

“A gente está com uma expectativa gostosa de amor, respeito, cuidado. Queremos que todos sejam bem vindos”, afirma.

Os organizadores destacam que é necessário celebrar o poder da comunidade negra de se reinventar, mesmo diante da violência cotidiana, e sublinhar a necessidade de se construir uma nova história sobre a trajetória africana na diáspora, diferente da escrita pela branquitude.

“Toda arte, todo trabalho e todas as formas de criação, que demandam tempo, energia, que criam expectativas e resultam em algo são maneiras de gerar vida”, descrevem os organizadores no evento no Facebook.

O encontro recorda também os assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes, executados em 14 de março, e de Matheusa Passareli, estudante da UFRJ, encontrada morta em 28 de Abril.

Caroline Amanda Borges conta que a data de comemoração do aniversário foi, inclusive, adiada por conta dos casos, que deixaram os integrantes do coletivo sensibilizados. Apesar da dor, o grupo reiterou a necessidade de celebrar a vida de um grupo que há quatro anos enfrenta o racismo e o genocídio no país.

“A gente entendeu que esse aniversário tem que sair ainda esse semestre. A gente não pode deixar de comemorar”, explica.

No ano passado, o coletivo reuniu um dos principais intelectuais do movimento negro brasileiro, Carlos Moore, para celebrar os 3 anos de existência do grupo. Para o encontro deste ano, já está confirmada a apresentação musical do poeta Akins Kintê.

“Nesse ano a gente está convidando toda a comunidade negra para celebrar a nossa vida e potência”, conta Caroline Amanda Borges.

Nayara Cristina,  integrante do Coletivo Negro Carolina Maria de Jesus (Imagem: Pedro Borges)

Como participar?

Durante a mostra haverá a apresentação de expositores, com diferentes produtos, todos voltados para a comunidade negra. Os interessados em apresentar seus produtos precisam se inscrever aqui e levar consigo uma estrutura mínima para apresentar seus objetos.

Para os expositores, será cobrada taxa simbólica de R$ 15. Para aquelas e aqueles interessados em vender, o valor é de R$ 30. Os interessados em acompanhar o evento também precisam colaborar com investimento simbólico de R$ 15.

Caroline Amanda Lopes Borges, integrante do Coletivo Negro Carolina Maria de Jesus (Imagem: Pedro Borges)

 O Coletivo Negro Carolina de Jesus

Nascido em 21 de Março de 2014, o Coletivo Negro Carolina de Jesus articula duas diferentes realidades: a de “estar universitário” e o cotidiano do povo negro diaspórico.

Não à toa, o grupo, referência na luta por ações afirmativas na UFRJ, nasce como uma resposta à morte de Cláudia Silva Ferreira, assassinada e arrastada por uma viatura de polícia em 2014, em 16 de Março.

“A gente sempre esteve conectado e ombreado pelas ações extra-acadêmicas”, enfatiza Caroline Amanda Borges.

O grupo participou da articulação da Marcha contra o Genocídio do Povo Negro em 2014, 2015 e 2016. O coletivo ajudou também na construção da Associação de Mulheres de Ação e Reação, em 2017.

No ambiente acadêmico, o grupo foi o anfitrião do Encontro de Estudantes e Coletivos Universitários Negros (EECUN), evento que reuniu mais de 2 mil estudantes negros e nomes históricos da luta antirrascista no Brasil.

O Carolina de Jesus ainda participou das ocupações da reitoria (2015), do OCUPA IFCS (2016) e desde 2014 realiza a Calourada Preta, no início de cada semestre letivo, como forma de recepcionar os novos estudantes negros.

Em 2017, os alunos realizaram a I Jornada Afro Acadêmica de Estudos (JAAE), quando estudantes negros apresentaram produções científicas em diferentes áreas do saber e se integraram a pesquisadores de outras instituições.

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