Jornalista esportivo da Rede Globo participou da campanha de combate ao racismo no carnaval promovida pela Uber, aplicativo de transporte particular

Texto / Pedro Borges
Imagem / Reprodução

Abel Neto, um dos principais nomes do jornalismo esportivo no país, participou de uma campanha organizada pela Uber, aplicativo de transporte particular, contra o racismo. O propósito do material é chamar a atenção de todos contra a discriminação de raça e gênero durante o festejo de carnaval.

Orepórter recorda que o samba, muito presente no período carnavalesco, era reprimido, assim como outros símbolos da cultura negra passam por isso, caso do Candomblé. Ele diz que o afrodescendente não quer que a sua cultura seja vista de um modo ridicularizado e estereotipado. 

“O que a gente quer é que a nossa cultura seja respeitada, como qualquer outra”.

No carnaval, Abel Neto destaca a hipersexualização da mulher negra como um grande problema e afirma que a roupa mais curta vestida por uma mulher não justifica qualquer tipo de assédio.

“Ela precisa ser respeitada como qualquer cidadã, não só no carnaval, durante o ano inteiro”.

O repórter também refuta as marchinhas de carnaval de cunho racista, como a “O teu cabelo não nega, mulata”.

“Eu não gostaria de ouvir mais”, afirma. 

Violência cotidiana

Ao longo da gravação, Abel Neto contou como o racismo interferiu na sua vida desde a infância.

“Como todos os negros desse país, já passei, já sofri, e continuo sofrendo com a discriminação e o preconceito”.

Essas violências ainda fazem parte da rotina do profissional, que fica exposto a ofensas racistas quando participa da cobertura de jogos de futebol pela Rede Globo.

“Até hoje, trabalhando como jornalista esportivo em estádios sou xingado, por exemplo”.

No vídeo, Abel Neto também diz se incomodar com a pouca representatividade negra em profissões de prestígio social e na ausência de afrodescendentes em posições de destaque nas grandes empresas.

“O que me incomoda muito é entrar em um hospital e não ver um médico negro”.

Por fim, descreve as dores de quem, assim como todos os afro-brasileiros, sofre com o racismo no cotidiano.

“Nenhuma pessoa, que não seja negra, jamais vai ter ideia do que é a dor de você ser discriminado, ser tratado de forma diferente, não ter oportunidades, ser humilhado, inferiorizado, excluído por causa da cor da sua pele”.

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