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 Das 18 capitais com disputa de segundo turno, quatro candidatos brancos venceram a disputa, mas se autodeclararam pardos; em sete capitais, a eleição foi entre duas candidaturas brancas

Texto: Juca Guimarães I Edição: Flávia Ribeiro I Imagem: Rovena Rosa/ Agência Brasil

Com mais de 56% da população que se autodeclara negra, o Brasil ainda tem baixa representatividade de pretos e pardos na política. Nas 18 capitais, onde houve disputa de segundo turno para a prefeitura, foram eleitos 61,1% de candidatos brancos contra 38,8% de candidatos negros.

“A decisão do TSE com a destinação de recursos para candidaturas negras possibilitou um aumento, mesmo que pequeno, de candidatos negros eleitos. Em 2016, tínhamos 6% de negros eleitos, já este ano, 38%. Essa medida da destinação dos recursos tem gerado bom efeito, mas é algo de longo prazo que precisa ser aperfeiçoado para não gerar atrasos de pagamentos como ocorreu durante as eleições, o que prejudica candidaturas negras”, disse Juliana Silva, cientista política negra.

Em seis capitais, o segundo turno teve como opções uma candidatura branca e a outra parda. Foram quatro vitórias dos brancos contra duas dos pardos. Os candidatos brancos venceram os adversários pardos em Belém (PA), São Luís (MA), Porto Velho (RO) e Goiânia (GO).

A disputa de segundo turno ficou apenas entre dois candidatos brancos em sete capitais: Vitória (ES), Recife (PE), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS), Cuiabá (MT). Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP).

Os eleitores deram a vitória para candidatos pardos que disputavam contra brancos em Maceió (AL), com o candidato João Henrique Holanda Caldas, conhecido como JHC, ex-chefe do Ministério Público, que concorreu pelo PSD e teve 58,6% dos votos válidos. O adversário, Alfredo Gaspar de Mendonça, do MDB, teve 41,36% dos votos válidos. O vice-prefeito na chapa do JHC foi Ronaldo Lessa, do Democratas, que já foi prefeito de Maceió e governador de Alagoas.

A outra capital em que um candidato pardo, segundo a inscrição no TSE, venceu uma candidatura branca foi no Acre. Em Rio Branco, Tião Bocalom (PP) recebeu 62,93% dos votos válidos e derrotou a atual prefeita Socorro Neri (PSD) que teve 37,07% dos votos válidos. Bocalom era um dos candidatos que aparecem na lista de apoio do presidente Jair Bolsonaro nas eleições de segundo turno.

As eleições no segundo turno foram disputadas por dois candidatos que se declararam pardos em Aracaju (SE) e Teresina (PI), no nordeste e Boa Vista (RR) e Manaus (AM), na região Norte.

Em Aracaju (SE), venceu Edvaldo Nogueira (PDT ) com 57,86% dos votos válidos; em Teresina (PI) a vitória foi do Dr. Pessoa (MDB) com 62,31% dos votos válidos.

Em Boa Vista (RR) o prefeito eleito foi Arthur Henrique (MDB) com 85,3% dos votos válidos. Na capital do Amazonas, David Almeida (Avante) venceu para a prefeitura de Manaus com 51,2% dos votos válidos.

Nas oito capitais em que a eleição foi definida no primeiro turno, foram eleitos sete prefeitos brancos e um autodeclarado pardo, que foi Bruno Reis (DEM), em Salvador (BA) com 64,2% dos votos válidos.

A cientista política Juliana Silva destaca também que a mulher negra precisa ter mais espaço na política. “Também é importante pensar no recorte de gênero e raça, visto que mulheres negras estão ainda mais a margem da sociedade e menor representatividade”, disse.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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