Mesmo com provas que contestam seu envolvimento, modelo e dançarina estava encarcerada desde janeiro de 2018 acusada de ter participado de um assalto; Justiça concedeu alvará para que jovem aguarde julgamento em liberdade

Texto / Nataly Simões | Edição / Pedro Borges | Imagem / Reprodução

A modelo e dançarina Bárbara Querino, mais conhecida como Babiy, conseguiu liberdade para aguardar o recurso de seu julgamento em regime aberto. A jovem saiu do Centro de Progressão Penitenciária (CPP) Dra. Marina Marigo Cardoso de Oliveira, no Butantã, Zona Oeste de São Paulo, na terça-feira, 10 de setembro, e já está com a família.

Em entrevista ao Alma Preta, Babiy contou que soube que sairia da prisão quando estava na sala de aula. “Era o último dia do meu curso e eu sabia que o alvará poderia ser concedido a qualquer momento, mas eu não imaginava que fosse nesta terça-feira. Foi uma surpresa”, relata.

O benefício de aguardar o julgamento em liberdade é concedido a pessoas reclusas que tenham completado um sexto da pena. Bárbara Querino foi condenada a cinco anos e quatro meses de reclusão.

Encarcerada desde 15 de janeiro de 2018, a jovem cumpriu o período de pena exigido para ter direito ao regime aberto em novembro do mesmo ano.

Apesar das dificuldades que passou no período em que esteve privada de liberdade, Babiy conseguiu extrair algo positivo da experiência e pretende recomeçar a vida.

“Na prisão eu conheci muitas pessoas e foi uma verdadeira lição de vida. Estou feliz e não vai ser fácil, mas tenho que recomeçar minha vida. Por outro lado, fico triste pelas mulheres que ainda estão encarceradas injustamente”, afirma.

Entenda o caso

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) determinou a condenação de Bárbara Querino em agosto de 2018 sob a acusação de que ela teria participado de um assalto à mão armada em 10 de setembro de 2017.

Colegas de trabalho testemunharam que estavam trabalhando com a jovem no dia do assalto pelo qual ela é acusada. Um vídeo caseiro e uma publicação no Instagram, com local “Enseada - Guarujá”, somam-se aos elementos da defesa.

Na época da condenação, o advogado Bruno Cândido Sanfoka destacou que o juiz desconsiderou os vídeos e fotos que comprovam a presença da modelo e dançarina no Guarujá, Litoral Paulista, onde foi contratada para se apresentar em um evento.

Para a defesa da jovem, o racismo ficou explícito quando a condenação foi decidida com base na alegação de que a vítima do crime havia reconhecido Babiy somente pela cor da pele e cabelo.

Segundo a família de Babiy, a jovem foi fichada e as imagens foram compartilhadas em um programa de televisão após um grupo de policiais publicar nas redes sociais um pedido para que a vítima procurasse uma delegacia para confirmar.

O método utilizado pelos policiais para encontrar os responsáveis pelo crime contradizem a lei 12.037, de 2009, que versa sobre o método adequado para identificação.

Para não causar exposição na mídia como neste caso, o artigo 4 da lei, por exemplo, diz “quando houver necessidade de identificação criminal, a autoridade encarregada tomará as providências necessárias para evitar o constrangimento do identificado”.

A reportagem do Alma Preta procurou a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) e a Polícia Militar (PM), mas as instituições não se pronunciaram sobre as acusações de que os agentes de segurança não cumpriram as normas na identificação dos suspeitos.

Todos por Babiy Querino

Criada por Mayara Vieira, assistente social e amiga de Bárbara, a página “Todos por Babiy Querino” nas redes sociais apoiou a jovem durante todo o período em que esteve reclusa.

A página foi usada como plataforma para arrecadar, por meio de “vaquinha”, dinheiro para pagar os honorários do advogado. Hoje, o espaço é usado para dar notícias sobre o caso e divulgar histórias parecidas no sistema carcerário.

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