Debates tratam sobre a história da entidade e os legados deixados pela organização para a história da luta contra o racismo no Brasil

Texto / Pedro Borges
Imagem / Divulgação

Movimento Negro Unificado (MNU) organiza no dia 18 de Junho, segunda-feira, das 9h às 20h, um seminário em homenagem aos 40 anos da entidade. O evento ocorre no Auditório da APEOESP, na Praça da República, centro de São Paulo.

A organização surgiu em 7 de Julho de 1978, com um lançamento histórico nas escadarias do Teatro Municipal, centro de São Paulo, em meio ao período do regime militar. A criação da entidade marca a reconstrução do movimento negro moderno.

Isolada no seu surgimento pela direita e setores da esquerda, o MNU está presente em 12 unidades da federação, e mantêm seus quadros políticos históricos, como Milton Barbosa, e jovens negros, interessados em compor o grupo.

Regina Lucia dos Santos, militante do grupo há 22 anos, conta que o grupo surgiu com a necessidade de denunciar a violência de Estado, a discriminação racial contra os afrodescendentes, e buscar a igualdade racial e construção de uma verdadeira democracia racial no país.

“O MNU esteve sempre como ponta de lança nesta luta, levantou grande parte da necessidade destas lutas, desde o início levantou a violência policial contra negros, o genocídio, a necessidade do resgate da história e da contribuição dos africanos e afro brasileiros no processo civilizatorio e progresso brasileiro”, afirma.

Para Jose Adão Oliveira, um dos fundadores da entidade, o MNU conseguiu deixar um legado sólido para o momento atual.

“O legado do MNU é o consenso que se tem, em níveis nacional e internacional, sobre o que é, como se opera e quem lucra com o genocídio e o encarceramento em massa da população negra”, conta.

O seminário

O encontro começa às 9h com debate sobre a história de fundação do MNU, com a presença de José Adão Oliveira, Milton Barbosa e Neusa Maria Pereira, com a coordenação de Regina Lucia dos Santos.

Na sequência, o debate é sobre o genocídio e o encarceramento da população negra, com a participação de Railda Alves, Amparar, Katiara Oliveira, Kilombagem, Douglas Belchior, Uneafro, Jupiara Castro, Núcleo de Consciência Negra da USP, e Thiago de Luna Cury, Defensoria Pública do Estado de São Paulo.

Depois do almoço, a partir das 14h, o tema a ser abordado será “Mulheres negras contra o racismo”, com Miriam Duarte (Amparar), Mara Sobral (Cooperativa Granja Julieta), Juliana Gonçalves (Marcha das Mulheres Negras de São Paulo) e Luciana Araújo (MNU).

O último momento de reflexão, às 16h30, trata as “Conquistas e Perspectivas” do MNU, com Milton Barbosa, José Adão Oliveira, Regina Lucia dos Santos, e Luka França, todos integrantes da entidade.

O encerramento do encontro ocorre com a roda de samba Negras em Marcha, a partir das 19h.

Para Regina Lucia, a importância do seminário é reflexo da atualidade das pautas defendidas pelo MNU, como o genocídio, o encarceramento em massa, e a discriminação racial.

“Eu acho que celebrar os 40 é da maior importância porque as pautas levantadas pelo MNU continuam candentes e apontam para as lutas futuras”.

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