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A atividade, protagonizada pelo movimento negro, conta com a presença de 30 intelectuais e ativistas da luta antirracista no Brasil

Texto / Pedro Borges
Imagem / Hutchins Center

O seminário “Afrodescendentes no Brasil: conquistas, desafios do presente, e perspectivas para o futuro” compõe a agenda de atividades do Instituto de Estudos Afro-Latino-Americanos (Alari) da Universidade de Harvard, entre os dias 27 e 28 de Abril, Estados Unidos. A atividade é organizada pela professora Ana Flávia Magalhães Pinto, Universidade de Brasília (UnB) e pelos professores Alejandro de la Fuente e Sidney Chalhoub, Universidade de Harvard.

Ana Flávia Magalhães acredita que o seminário reúne pessoas com vasto acúmulo da luta antirracista no país e propõe uma discussão sobre a conjuntura política do Brasil.

“O mais importante deste simpósio é a concretização da proposta de, na atual conjuntura, 30 intelectuais ativistas negras e negros conseguirem se reunir para compartilhar suas experiências e leituras sobre a sociedade brasileira”, afirma.

O seminário, em diálogo com a Década Internacional do Afrodescendente (2015-2024), proclamada pela assembleia geral da ONU, também visa debater os desafios postos a comunidade negra diante do avanço do conservadorismo no país, materializado em medidas como a PEC 55, conhecida como a PEC do teto dos gastos públicos, e a reforma trabalhista.

“A superação da fragilidade crônica da democracia brasileira não se dará sem o reconhecimento e o respeito à população negra, a seu pensamento, demandas e lutas”, afirma Ana Flávia.

Ela também ressalta o estranhamento que um encontro, centrado no movimento negro em Harvard, causa em setores da sociedade brasileira.

“O fato de o encontro com este formato acontecer na Universidade de Harvard surpreende porque a legitimação da intelectualidade negra segue sendo incomum nas instituições brasileiras, a despeito de termos quadros capacitados com atuação nas mais diversas áreas. A oportunidade de realizar o simpósio nos ajuda a tensionar a naturalização racismo no Brasil”, explica.

Os temas a serem debatidos são diversos e abordam títulos como: “O racismo e a atual crise política”; “Racismo e Segurança Pública”; “Direito à biodiversidade, à cidade e a outras territorialidades”; “Movimento social e Estado”; “Ações afirmativas no Brasil: Lei n. 10.639 e cotas étnico-raciais”;“Racismo e Saúde Pública”; “Comunicação e Artes”; “Balanço e Perspectivas”.

Ana Flávia vê de modo natural a diversidade de temas a serem abordados e o perfil dos convidados. Ela conta que a dicotomia entre academia e ativismo não dá conta da luta política do movimento negro, e destaca Jurema Werneck, diretora da Anistia Internacional, como um exemplo.

“Jurema é médica, mestre em engenharia de produção e doutora em comunicação e cultura e uma das principais referências do Movimento de Mulheres Negras”, afirma.

Serviço:

O evento será transmitido ao vivo e pode ser acompanhado pelo link: goo.gl/bhHPHR

A programação completa pode ser vista aqui

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