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Ativistas condenam o aumento do índice de violência policial em São Paulo e a homenagem aos PMs da Rota que mataram 11 pessoas em Guararema; discursos do governador em incentivo a ação violenta da polícia também foram anexados

Texto / Pedro Borges | Imagem / Governo do Estado de São Paulo | Edição / Simone Freire

O movimento negro apresentou para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) uma denúncia sobre “flagrantes violações de direitos” nos discursos e ações do governador de São Paulo, João Dória (PSDB). O material foi protocolado nesta quarta-feira (8), em Kingston, Jamaica.

No material, há declarações do governador do Estado, como a feita em 11 de janeiro, quando disse, em referência a uma ação policial, que “se ele [bandido], ainda assim reagir, ele não vai para a delegacia, nem para a prisão, ele vai para o cemitério”.

O documento também traz menção à homenagem feita pelo governador de São Paulo aos policiais envolvidos no assassinato de 11 pessoas em Guararema, interior do estado, com o título de “Policial Nota 10”. Na ocasião, o atual governador disse que “a polícia agiu corretamente e mandou para o cemitério 11 bandidos”.

O texto também questiona se a condecoração aos PMs, responsáveis pela morte de 11 pessoas, e os depoimentos de João Dória sobre a ação truculenta da polícia, não estão relacionados ao aumento da letalidade policial no Estado que cresceu 8% em comparação ao mesmo período em 2018.

Os participantes do movimento negro que estão na audiência da CIDH, que acontece nesta quinta-feira (9), questionam se o governador de São Paulo não estaria incentivando a pena de morte no Estado, algo inexistente na legislação brasileira, ou mesmo o aumento da letalidade policial. O documento exige um posicionamento público e político da CIDH contrário às declarações e condutas de João Dória e um encaminhamento ao ajuste de conduta do governador.

Leia a íntegra do documento.

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