Manifesto ocorreu neste sábado (7) com ato político no Teatro Municipal

Texto e imagem / Anna Laura Moura

O Movimento Negro Unificado (MNU) celebrou neste sábado (7) 40 anos anos de luta e força. O aniversário foi celebrado com uma recordação: neste mesmo dia, há quatro décadas atrás, o coletivo fazia um protesto histórico no centro de São Paulo. 

Reivindicando direitos iguais e o fim da violência racial, os membros do movimento recordaram a caminhada da Rua Vicente de Ouro Preto (cruzamento com a Consolação) até as escadarias do Teatro Municipal, na praça Ramos de Azevedo (República), percorrendo todo o trajeto novamente. No ponto final, assim como no dia fatídico, um ato político foi realizado, com direito à microfone, faixas e muitos gritos pedindo por justiça. 

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(Foto: Anna Laura Moura)

Estavam presentes os fundadores e membros do MNU e também integrantes dos coletivos Círculo Palmarino, Conen, Núcleo de Consciência Negra, Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, Geledés, OCPA, Uneafro, Amparar e RUA - Juventude Anticapitalista, além de militantes dos partidos PT e PSOL.

Andando por uma sociedade justa e inclusiva

Logo no início da passeata, Milton Barbosa (Miltão), cofundador do MNU, fez uma fala marcante para explicar à sociedade para quê o coletivo existe. 

“Nós estamos presentes em todos os lugares. Seja nos morros, nas favelas ou trabalhando na casa da elite, nós temos de ter a consciência para derrotar esse projeto genocida [intervenção militar]. Estamos aqui para salvar a vida daquelas crianças”, disse Milton, referindo-se às duas crianças sentadas em cima de um muro que assistiam ao manifesto. 

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Milton Barbosa fala aos presentes na manifestação de 40 anos do MNU (Foto: Anna Laura Moura)

Iêda Leal, coordenadora do movimento também fez uma referência à mulheres e crianças durante sua fala. “Fomos para as ruas denunciar o feminicídio, o assassinato das nossas crianças. Queremos uma outra sociedade, que seja justa e inclusiva”, diz.

Iêda, em suas palavras, também acusou a mídia de acobertar a questão racial e seus desdobramentos no Brasil. “Queremos discutir as nossas ocupações nas assembléias, nas câmaras, nós queremos dizer que nós, durante esses 40 anos, fizemos muitas mudanças. Exigimos uma mídia que dê conta de dizer que esse país tem 60% da população representada por negros”, explica. 

Chegando nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo, diversos membros do movimento, organizadores e pessoas que já passaram pelo coletivo, gritaram palavras de ordem que pediam mais inclusão social e menos mortes aos negros.

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(Foto: Anna Laura Moura)

Marcelo Dias, coordenador nacional de comunicação do MNU, fez uma das falas mais potentes do protesto, sem entrelinhas. “A sociedade nos odeia. Esse país é um lugar onde o Supremo Tribunal Federal é constituído por homens brancos. O poder judiciário do Brasil é um poder branco e racista.”, afirmou. “Querem construir um país sem espaço para nós”.

A união do Movimento Negro Unificado, encabeçada por militantes de longa data e caminhada, é empoderadora e, ao mesmo tempo, reconfortante. Afinal, a existência dela assegura que a luta anti racista continuará, e que os combatentes não se darão por vencidos tão cedo. 

 

 

MNU celebra 40 anos refazendo caminhada histórica no centro de SP


Manifesto ocorreu neste sábado (7) com ato político no Teatro Municipal


Texto e imagem / Anna Laura Moura


O Movimento Negro Unificado (MNU) celebrou neste sábado (7) 40 anos anos de luta e força. O aniversário foi celebrado com uma recordação: neste mesmo dia, há quatro décadas atrás, o coletivo fazia um protesto histórico no centro de São Paulo.


Reivindicando direitos iguais e o fim da violência racial, os membros do movimento recordaram a caminhada da Rua Vicente de Ouro Preto (cruzamento com a Consolação) até as escadarias do Teatro Municipal, na praça Ramos de Azevedo (República), percorrendo todo o trajeto novamente. No ponto final, assim como no dia fatídico, um ato político foi realizado, com direito à microfone, faixas e muitos gritos pedindo por justiça.


Estavam presentes os fundadores e membros do MNU e também integrantes dos coletivos Círculo Palmarino, Conen, Núcleo de Consciência Negra, Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, Geledés, OCPA, Uneafro, Amparar e RUA - Juventude Anticapitalista, além de militantes dos partidos PT e PSOL.


O Alma Preta esteve presente para registrar esse momento.


Andando por uma sociedade justa e inclusiva


Logo no início da passeata, Milton Barbosa (Miltão), cofundador do MNU, fez uma fala marcante para explicar à sociedade para quê o coletivo existe.


“Nós estamos presentes em todos os lugares. Seja nos morros, nas favelas ou trabalhando na casa da elite, nós temos de ter a consciência para derrotar esse projeto genocida [intervenção militar]. Estamos aqui para salvar a vida daquelas crianças”, disse Milton, referindo-se às duas crianças sentadas em cima de um muro que assistiam ao manifesto.


Iêda Leal, coordenadora do movimento também fez uma referência à mulheres e crianças durante sua fala. “Fomos para as ruas denunciar o feminicídio, o assassinato das nossas crianças. Queremos uma outra sociedade, que seja justa e inclusiva”, diz.


Iêda, em suas palavras, também acusou a mídia de acobertar a questão racial e seus desdobramentos no Brasil. “Queremos discutir as nossas ocupações nas assembléias, nas câmaras, nós queremos dizer que nós, durante esses 40 anos, fizemos muitas mudanças. Exigimos uma mídia que dê conta de dizer que esse país tem 60% da população representada por negros”, explica.


Chegando nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo, diversos membros do movimento, organizadores e pessoas que já passaram pelo coletivo, gritaram palavras de ordem que pediam mais inclusão social e menos mortes aos negros.


Marcelo Dias, coordenador nacional de comunicação do MNU, fez uma das falas mais potentes do protesto, sem entrelinhas. “A sociedade nos odeia. Esse país é um lugar onde o Supremo Tribunal Federal é constituído por homens brancos. O poder judiciário do Brasil é um poder branco e racista.”, afirmou. “Querem construir um país sem espaço para nós”.


A união do Movimento Negro Unificado, encabeçada por militantes de longa data e caminhada, é empoderadora e, ao mesmo tempo, reconfortante. Afinal, a existência dela assegura que a luta anti racista continuará, e que os combatentes não se darão por vencidos tão cedo.



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