Destinado exclusivamente para mulheres negras, o curso que se estenderá até setembro abrange temas como sexualidade, feminismo e saúde

Texto / Anna Laura Moura
Imagem / Juliana Gonçalves

Aconteceu neste sábado (28), na Goma Capulanas, o primeiro encontro de formação organizado pela Marcha das Mulheres Negras de São Paulo. O curso foi organizado em parceria com a Fundação Rosa Luxemburgo e abrangeu temas como sexualidade, maternidade, feminismo, saúde e racismo com mulheres negras de todas as idades.

O encontro deste fim de semana começou às 11h, com roda de conversa sobre a história da Goma Capulanas, companhia artística que cedeu o espaço para a formação acontecer. Logo em seguida aconteceu o curso propriamente dito, cujo término ocorreu às 17h.

Saúde da mulher negra

Na parte da manhã foi discutido a saúde da mulher negra, assim como quais são as suas nuances, envolvendo tanto o corpo feminino quanto a mente. Este momento da atividade teve participações das palestrantes Leila Rocha e Clelia Prestes.

Leila focou na questão da saúde do corpo, fazendo um paralelo com a violência obstétrica e a falta de acesso à bons medicamentos no SUS.

Foi discutido também o preconceito que gira em torno da suposta predisposição do negro a contrair certas doenças, como a anemia falciforme. “O negro não tem acesso à saúde de qualidade e é por isso que está mais suscetível a ficar doente”, afirma Leila.

Em seguida, Clelia fez uma reflexão sobre a dificuldade das mulheres negras de conhecerem o amor, fazendo uma relação com a solidão da mulher negra. Segundo ela, os negros são mais fechados e rígidos por sequelas do regime escravocrata, o que faz ser mais difícil se abrir para o amor e outros sentimentos relacionados.

Outro aspecto discutido dizia respeito à masculinidade negra, na qual o homem negro acaba sendo vítima da compulsão por se autoafirmar como homem, encontrando dificuldades para se expressar e amar.

Maternidade e a mulher negra

No período da tarde, as palestrantes Clelia Rosa e Mayara Assunção tocaram no assunto maternidade e os preconceitos, mitos e obrigações que surgem junto com ela.

Um dos grandes pontos do debate foi o desafio que é ser mãe de uma criança negra, quando surge a dúvida sobre como falar de militância quando se ainda é jovem.

“Infelizmente, as crianças negras conhecem o racismo desde muito cedo”, afirma Mayara Assunção. “Tem de haver o diálogo, mas de maneira que eles entendam”.

Clelia refletiu sobre evitar de todas as formas possíveis que as crianças se sintam inferiores por serem negras. Isso pode partir por muitas vezes, inclusive, das próprias mães.

“Nós, quando éramos crianças, ouvíamos muitas coisas até das nossas mães, que nos marcaram até hoje. Precisamos evitar que nossos filhos escutem as mesmas palavras. Isso tem de partir principalmente de nós”, explica.

Os demais encontros para formações acontecerão até o final do mês de setembro. Acesse a página da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo para obter mais informações.

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