Heraldo Pereira, único profissional negro a assumir a bancada do JN, em 2001, não está mais no time

Texto / Simone Freire
Imagem / TV Globo / Reprodução

Após 50 anos no ar, o Jornal Nacional da Rede Globo, terá, pela primeira vez, uma mulher negra como âncora do Jornal Nacional. A jornalista Maria Júlia Coutinho estreia no próximo sábado (16) como apresentadora.

Maju fará parte do time de jornalistas que reveza a bancada aos finais de semana e folgas dos titulares William Bonner e Renata Vasconcellos.

A entrada da jornalista para bancada rompe com a hegemonia branca do jornal. Heraldo Pereira, único profissional negro a assumir a bancada do JN, em 2001, não está mais no time do JN desde o ano passado, quando assumiu como apresentador da GloboNews.

Mesmo antes de ter o nome confirmado para assumir a bancada do JN, Maju já havia se somado ao time de mulheres negras que conseguiram cargos de destaque na emissora.

Na TV Globo, Maju começou em 2007 como repórter. Em 2013 assumiu a previsão do tempo dos telejornais. Desde 2017, ela apresenta o Jornal Hoje, transmitido às tardes.

O mesmo jornal é eventualmente apresentado por Zileide Silva, que também é repórter especial do JN. Glória Maria, nos anos 1970, foi a primeira repórter negra a entrar ao vivo na programação do Jornal Nacional.

Representatividade

A bancada do JN é um reflexo da representatividade no jornalismo como um todo. Enquanto 54,9% da população do país é negra, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), apenas 23% dos profissionais de comunicação no país, segundo o “Perfil profissional do jornalismo brasileiro” são negros. 72% dos jornalistas são brancos. Os dados são de 2012 e pertencem a Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Em artigo publicado pelo Alma Preta, Rosane Bordes, jornalista e professor, e Suellen Guariento, doutoranda em Ciências Sociais, falaram sobre a importância da representatividade na comunicação do país. Leia mais em Eleições, jornalismo e o que a branquitude não vê .

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