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A taxa de letalidade do estado é quase o dobro da nacional; desde a semana passada, dez cidades estão em lockdown

Texto: Flávia Ribeiro | Edição: Simone Freire | Imagem: Marcelo Seabra / Agência Pará

 

O Pará ultrapassou a marca de mil óbitos e 10 mil casos confirmados de Covid-19, o novo coronavírus. A capital e mais nove cidades do estado estão há uma semana em regime de lockdown, ou seja, de proibição de circulação de pessoas e de atividades que não sejam consideradas como essenciais com o objetivo de conter o avanço da pandemia.

Segundo o boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde (Sespa), são exatos 10.867 casos, 1063 óbitos, 3.3 descartados e 6.023 recuperados. No momento, a taxa de ocupação dos leitos de UTIs (unidades de tratamento intensivo) chega a 87%. Belém é a cidade mais atingida com 4.612 casos, 552 óbitos e letalidade de 12%, quase o dobro da taxa nacional, que é de 7%.

Subnotificações

Nos dados oficiais não entram casos como o de Marcus Mocajatuba, que apresentou febre, tosse, falta de paladar e de olfato, mas não fez o teste. “Ainda estou em casa, não estou saindo. Infelizmente, eu precisei sair enquanto ainda estava com os sintomas, porque eu fui atrás de remédios. Foi inevitável, eu moro só, mas fui tentando tomar todos os cuidados: máscara, álcool, distanciamento e fazendo os pagamentos por método de aproximação para evitar o contato físico com os receptores”, afirma o estudante de Geografia. Ele tomou medicamentos em casa e informa que está sem sintomas há cerca de dez dias.

A bacharel em Serviço Social Adriely Barbosa também não entrou nas estatísticas oficiais. Ela apresentou os sintomas da Covid-19, mas também não fez o teste. Ela ficou sem olfato e paladar por quase um mês, mas os outros sintomas duraram pouco mais de uma semana.

“Tive atendimento por telefone no 136. Pediram que eu ficasse em casa e evitasse ir para a Unidade de Pronto Atendimento”, comenta. Além dela, uma irmã também teve sintomas.
Em nota, do dia 20 de abril, a Sespa informou que nos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), apenas os casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) tem, obrigatoriamente, as amostras coletadas para análise do novo coronavírus.

Lockdown

Desde a semana passada, um decreto do governo do estado entrou em vigor restringindo a circulação de pessoas e de atividades comerciais. Somente atividades essenciais estão permitidas, como aquisição de gêneros alimentícios e medicamentos; o comparecimento, próprio ou de uma pessoa como acompanhante, a consultas ou realização de exames médico-hospitalares, nos casos de problemas de saúde.

Os estabelecimentos comerciais devem controlar a entrada de pessoas, limitado a um membro por grupo familiar, respeitando a lotação máxima de cinquenta por cento de sua capacidade. Caso não cumpram o decreto, os estabelecimentos estão sujeitos a advertência, multa diária de até R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) para pessoas jurídicas e de R$ 150,00 para pessoas físicas, micro e pequenas empresas.

As determinações abrangem as cidades de Belém, Ananindeua, Marituba, Benevides, Castanhal, Santa Izabel, Santa Bárbara, Breves, Vigia e Santo Antônio do Tauá. Em todas, foi identificado que o número de casos confirmados de novo coronavírus está superior à média estadual.

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