Organizações do movimento negro também dialogaram sobre incidências políticas em rede no Congresso Nacional pela garantia de direitos do povo negro

Texto / Pedro Borges I Foto / Matheus Alves

Cerca de 50 entidades do movimento negro participam de agenda política em Brasília entre os dias 11 e 12 de Junho para debater com deputados federais e senadores sobre o pacote de segurança pública de Sérgio e o decreto de flexibilização da porte e posse de arma.

As organizações fizeram diálogo com figuras de diferentes espectros políticos. Participaram das conversas aliados do movimento negro, como Áurea Carolina (PSOL-MG), Talíria Petrone (PSOL-RJ), Orlando Silva (PC do B-SP), Benedita da Silva (PT-RJ), David Miranda (PSOL-RJ), Paulo Teixeira (PT-SP), Joênia Wapixana (REDE-RR), entre outros.

Políticos de outros campos políticos também dialogaram com os ativistas do movimento negro e demonstraram apoio às pautas colocadas. Os dois principais atores foram o presidente da frente parlamentar evangélica, Silas Câmara, e a presidenta do GT responsável por analisar o pacote de Sérgio Moro, Margarete Coelho.

O movimento negro teve uma impressão positiva das agendas desenvolvidas e da incidência em Brasília no primeiro dia de atividades.

“Os deputados estão abertos a ouvir e estão sensíveis ao problema da viol~encia. É preciso mostrar para eles como esse pacote vai se desdobrar no cotidiano, como o auto de resistência é uma licença para matar. O excludente de licitude é a ampliação dessa licença para matar”, afirmou Edson França, vice-presidente da Unegro.

As organizações do movimento negro garantiram agenda com o presidente do Senado, David Alcolumbre (DEM-AP), para debater o pacote de segurança pública de Sérgio Moro e o decreto sobre a flexibilização das armas. A expectativa para o encontro é positiva.

Douglas Belchior, coordenador da Uneafro, acredita que é função do presidente do Senado compreender as pautas apresentadas pelo povo negro, principal segmento social brasileiro, e deve barrar projetos que atentem contra a vida de mulheres e homens negros.

“O Congresso Nacional é a casa do povo e é função desses representantes ouvir o povo negro, a maioria do povo brasileiro. Nós somos totalmente contra esse projeto do Sérgio Moro e queremos ser atendidos”, afirmou.

As organizações negras também articularam uma manifestação em frente à Câmara dos Deputados para protestar contra o pacote de Sérgio Moro e o decreto de Bolsonaro de flexibilização da posse e do porte de armas.

Articulação do movimento negro brasileiro

Os grupos debateram as dificuldades, os desafios colocados para a comunidade negra e A necessidade de incluir outros formatos de luta política antirracista, como saraus de periferia, movimentos de mãe, de cultura, de mães cujos filhos foram vítimas da violência do Estado.

Os presentes também debateram as dificuldades de busca de financiamento para a continuidade de encontros do movimento negro para a formulação de políticas e incidência. Diferente de outros setores, a luta antirracista não tem fontes de recurso para a construção de ações políticas.

“Precisávamos de um encontro nacional do movimento negro para ontem. Precisamos formular quais são as nossas pautas para 2020. O que vamos apresentar para os vereadores e prefeitos?”, afirmou Deise Benedito, Nova Frente Negra Brasileira.

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