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Professora e socióloga Najara Costa lança “Quem é Negra/o no Brasil?” e abre debate sobre o racismo; autora participa de uma live no instagram da editora Dandara nesta quarta-feira (17), às 19h

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Foto: Mauro Donato

A pergunta em destaque na capa da obra “Quem é Negra/o no Brasil?”, escrita pela professora, socióloga e mestre em ciências sociais Najara Lima Costa, não tem uma resposta fácil e tem sido “pólvora” para discursos inflamados contra e a favor de políticas de ações afirmativas como a reserva de vagas para afrodescendentes em instituições públicas.

A escritora vai fundo na complexidade que tange historicamente a demarcação da classificação racial no Brasil, em confronto ao “preconceito de marca”, definido objetivamente pelo fenótipo (manifestação visível ou detectável de um genótipo).

“Foi criado um falso mito de democracia racial, por uma miscigenação que não é fruto de algo muito violento. Nunca existiu democracia racial. O racismo no Brasil persiste nas nossas relações sociais e atua por um fenótipo. Se a pessoa é entendida como negra ou negro na sociedade brasileira, ela passa por uma discriminação”, diz Najara.

O livro traz como ponto-chave da discussão do racismo brasileiro o trabalho das comissões de e hetero-identificação das instituições que investigam as inscrições de autodeclaração para cotistas. A metodologia e a base teórica dessas câmaras de verificação são fundamentais na identificação de fraudes e fortalecimento das políticas de ações afirmativas.

“O movimento negro lutou ao longo de décadas, tensionando o Estado, para que fosse combatido o racismo. O Brasil não tinha o costume de falar sobre o racismo, era como se estivessem quebrando um código de ética, um código de convivência social mesmo. As questões raciais estiveram camufladas por muito tempo”, sustenta a autora.

As políticas afirmativas têm grande potencial para acabar com os entraves que impedem o desenvolvimento do país como um todo, conforme explica Najara. “A grande falácia que não nos permite discutir profundamente a seriedade do debate racial no Brasil é não encarar como sendo o ponto principal da desigualdade. Muitos intelectuais colocam a questão social na frente, mas a verdade é que a formação histórica do país é construída em diferenciações e desigualdades baseadas na raça. A sociedade deve dar mais oportunidades para as pessoas negras, são direitos que foram negados durante séculos”, pontua.

O papel das pessoas brancas na melhoria da sociedade também está presente nas ideias de Najara sobre o racismo. “Os brancos, embora muitos não se assumam racistas, são beneficiadas pelo racismo de alguma forma. Elas precisam entender isso e apoiar a construção de uma outra sociedade onde os negros estão subjugados, pela precariedade e ausência de direitos, por conta do racismo. É uma luta de todos”, diz.

O prefácio do livro foi escrito pelo professor Juarez Xavier, presidente da comissão de investigação do sistema de reservas de vagas da Universidade Estadual Paulista (Unesp). A orelha foi escrita pela defensora pública Isadora Brandão, coordenadora do Núcleo de Diversidade e Igualdade Racial da Defensoria Pública de São Paulo.

Nesta quarta-feira (17), a partir das 19h, escritora participa de uma live na página da editora Dandara, no Instagram, para falar sobre a obra.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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