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Propostas preveem redução dos impactos financeiros causados pelo isolamento social

Texto / Guilherme Soares Dias | Edição / Simone Freire | Imagem / Divulgação

No contexto da pandemia da Covid-19, o novo coronavírus, enquanto as grandes e médias empresas já começaram a se preparar para suas recuperações quando os comércios forem reabertos, o cenário ainda é incerto para afroempreendedores, que sofrem mais por terem dificuldade de acesso a crédito, e frágil ou nenhum capital de giro. Para tentar driblar a crise, diferentes iniciativas de financiamento coletivo estão abertas a fim de garantir a continuidade destes negócios.

A rede Dos Afros Pro Mundo lançou a campanha no Matchfunding Enfrente para que após a crise do coronavírus possa realizar cinco edições do evento de inovação sócio-racial e ajudar, pelo menos, 100 afroempreendedores. A proposta prevê destinação de prêmios para as soluções que mais contribuem para a melhoria de vida nas favelas, promoção e comercialização de produtos e serviços, palestras e bate-papos com atualizações sobre as novas tendências do comércio pós coronavírus.

“O evento Dos Afros Pro Mundo será uma importante fonte de geração de renda para os afroempreendedores paulistanos e de preparação para o pós-crise do coronavírus. Uma parcela significativa dessas pessoas vive da produção e venda de artigos artesanais e de outros produtos desenvolvidos. O conjunto de ações previstas vai impulsionar o setor e mostrar toda a riqueza e a diversidade da produção da cidade de São Paulo”, afirma Yan Ragede, responsável pela iniciativa.

O evento vai ocorrer somente após a liberação dos comércios e prevê atenção aos critérios de saúde dos participantes, com o fornecimento de álcool em gel e máscaras. Para ajudar o projeto é possível fazer doações no financiamento coletivo no site da Benfeitoria até 23 de maio.

Já a Terra Preta Produções lançou campanha para expandir a criação de conteúdo audiovisual gratuito para pequenos negócios das periferias da grande São Paulo, ajudando empreendedores e pequenos negócios a manter a presença online de seus negócios e aumentar o alcance. “Um vídeo pode aumentar em até 40% a possibilidade de vendas pela internet, já atendemos mais de dez negócios de forma gratuita, e com esses recursos prevemos chegar em mais 40 negócios”, afirma Rodrigo Portela, diretor da Terra Preta Produções e responsável pela iniciativa.

Os novos tempos provocados pela pandemia adaptaram a captação de imagens que serão enviadas online ou por meio de motoboy. “Vamos orientar como cada empreendedor pode gerar esses conteúdos e nos enviar para podermos editar e finalizar”, contextualiza Portela. A campanha fica no ar até o dia 17 de maio e é possível contribuir pelo site da Benfeitoria.

Bahia

Em Salvador (BA), a Vale do Dendê, holding social destinada a fomentar ecossistemas de inovação e criatividade com foco em diversidade, tem três empresas que criaram projetos emergenciais para realização durante a pandemia: AfroSaúde, Dendezeiro e Iyá Omi Cosmética Natural.

Criado pela marca de roupas Dendendezeiro, a campanha Proteção Colaborativa mapeou costureiras e empreendimentos que irão produzir cerca de duas mil máscaras de proteção. A ideia é distribuir o material nas periferias e organizações não governamentais de Salvador. O projeto recebe doações até 23 de maio pelo site da Benfeitoria.

A Iyá Omi, startup de cosmética natural, por sua vez, irá distribuir 200 kits de higiene pessoal para mulheres de regiões periféricas de Camaçari (BA). A iniciativa visa promover os cuidados com a saúde física e emocional de mulheres em estado de vulnerabilidade, utilizando virtudes terapêuticas das plantas. A campanha pretende arrecadar até R$ 50 mil.

 

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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