Milhares de manifestantes tomaram as ruas de São Paulo contra a reforma da previdência e os cortes na educação; movimento negro marcou presença para denunciar pacote de Sérgio Moro

Texto / Pedro Borges I Foto / Júlio César

Cerca de 50 mil pessoas participaram da manifestação do dia 14 de Junho, sexta-feira, durante a primeira greve geral organizada pelas centrais sindicais na gestão de Bolsonaro. As principais pautas denunciadas pelos protestantes eram a reforma da previdência e os cortes na educação propostos pelo atual governo.

A greve foi convocada por 12 centrais sindicais e pelas frente Brasil Popular e Povo Sem Medo. De acordo com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), responsável pelo mapeamento da manifestação, a greve aconteceu em 380 cidades.

Organizações e ativistas do movimento negro também participaram do ato e destacaram a necessidade de compor a greve e colocar em pauta as reivindicações do movimento negro.

“A gente precisa estar nesse espaço para colocar nossas questões no contexto que a gente vive, de uma esquerda brasileira muito branca e até elitista. A gente precisa enegrecer as pautas dessas mobilizações”, afirmou Taina Aparecida, articuladora política da Mandata Quilombo de Erica Malunguinho.

Para ela, a vida do povo negro e conquistas da luta antirracista, como a Lei de Cotas e a Lei 10.639, que garante o ensino da cultura africana e afro-brasileira, estão em risco.

“Nos últimos anos o movimento negro foi um dos grupos que mais conseguiu direitos no campo da institucionalidade e não é a toa que esse golpe acontece nesse momento, com muitas pessoas negras nas universidades e em espaços de poder. Isso também é um golpe racial”.

Greve geral julio cesar corpo

Presença ostensiva da polícia militar chamou atenção durante a manifestação (Foto: Júlio César)

Vanderlei Victorino, coordenador nacional do Círculo Palmarino, acredita ser fundamental trazer para a discussão a importância do determinante racial diante de todos os problemas debatidos pelos manifestantes.

“Nenhum problema vai ser resolvido se a gente não pautar a temática racial. A gente só vai conseguir ter um país economicamente desenvolvido, democraticamente ativo e efetivo, principalmente para a população pobre, preta da periferia, se a gente colocar na pauta do dia o fundamento racial”.

O ativista do Círculo Palmarino também colocou a necessidade de se denunciar o projeto de segurança pública de Sérgio Moro, visto como uma ameaça ao agravamento do genocídio negro.

“O pacote anticrime do Moro é uma das pautas que a gente traz para essa greve geral. Não é simplesmente a reforma da previdência”.

A greve geral também teve impacto significativo nas redes sociais e ficou entre os principais temas comentados no twitter no país ao longo do dia. Entre as 17h e as 20h, ocorreu um twitaço contra a reforma da previdência com a marca #BrasilBarraReforma.

O ato em São Paulo também foi marcado por forte aparato policial e por repressão aos manifestantes, em especial na Rua da Consolação, quando os presentes se dirigiam para o centro da cidade.

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