Em entrevista para o Alma Preta, a jornalista de Recife, Lenne Ferreira, comentou sobre a importância de uma comunicação diversa e inclusiva para a construção de uma sociedade menos racistas; Lenne Ferreira participa de formação do projeto Usina de Valores em São Paulo

Texto / Pedro Borges I Imagem / Reprodução

“O jornalismo independente, que garanta mais representatividade, pode ser uma bússola para direcionar e formar cidadãos e cidadãs mais conscientes”, afirma Lenne Ferreira, jornalista e uma das idealizadoras do coletivo de comunicação Afoitas, criado em 8 de Março de 2017, em Recife.

O nome do coletivo faz uma alusão a um dos constantes comentários direcionados a mulheres negras, sempre descritas como “afoitas”. O projeto surgiu com o objetivo de reportar mulheres a partir da perspectiva negra.

“Nascemos afoitas. E ouvimos sobre essa afoitice toda vez que não aceitamos desempenhar o papel que nos foi predestinado”, diz o texto de apresentação do grupo.

Lenne Ferreira participa do debate “Jornalismo crítico e popular na desconstrução do senso comum”, no dia 22 de Maio, às 18h30, na Cieja Campo Limpo, Rua Cabo Estácio da Conceição, 176, São Paulo.

Durante o encontro, Lenne apresentará os desafios de construir um jornalismo que rompa com a lógica do senso comum, principalmente na região Nordeste do país.

“No Nordeste, o desafio é grande e começa no enfrentamento ao pensamento patriarcal e colonialista herdado da Casa Grande e ainda vigente. Somos a região onde mais se mata comunicadores independentes no país”.

Para ela, é necessário que se construa novos formatos jornalísticos, mais inclusivos, e que permitam uma sociedade menos racista.
“Fomentar, proteger e fortalecer esses defensores dos Direitos Humanos é garantir a consolidação de um estado menos racista, classista e sexista”.

Confira a entrevista na íntegra com Lenne Ferreira

Qual a importância de se discutir o jornalismo independente dentro da sociedade brasileira?

A produção de um jornalismo independente, que garanta mais representatividade, diversidade e pluralidade narrativa, pode ser uma bússola para direcionar e formar cidadãos e cidadãs mais conscientes.

No Nordeste, o desafio é grande e começa no enfrentamento ao pensamento patriarcal e colonialista herdado da Casa Grande e ainda vigente. Somos a região onde mais se mata comunicadores independentes no país.

Fomentar, proteger e fortalecer esses defensores dos Direitos Humanos é garantir a consolidação de um estado menos racista, classista e sexista.

Qual a importância do cenário nacional do jornalismo brasileiro ser mais permeado com a participação de mulheres negras nordestinas?

Eu acho que o Brasil precisa nordestinizar o pensamento. Somos as raízes do projeto inicial de país. Um projeto colonialista que dizimou terras e teve como base de manutenção a exploração do povo pobre e preto, que acabou migrando para estados como São Paulo em busca de sobrevivência, contribuindo assim para o desenvolvimento desses territórios.

Enquanto isso, o Nordeste, mesmo protagonizando o processo de independência do Brasil, continuou à mercê do coronelismo, ainda hoje vigente em muitas cidades, e à margem do desenvolvimento nacional.

Nesse contexto, as mulheres negras nordestinas desempenharam um papel importantíssimo para a sustentabilidade do Estado com a força de seu trabalho e produção de conhecimento. No entanto, foram as mais invisibilizadas.

É reparação histórica possibilitar que suas vozes sejam ouvidas para além das fronteiras do NE e que pautem a política e o projeto de país que almejamos. Olhar para o Nordeste é olhar para a nossa história e encontrar nela a direção.

Sobre o Alma Preta

O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

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