O evento gratuito tem o objetivo reunir musicistas e sambistas de São Paulo que são referências na luta contra o racismo e machismo

Texto e imagem / Divulgação

No dia 1º de dezembro, sábado, a partir das 16h, acontece a primeira edição do festival musical Nossa Voz, organizado pelo grupo Samba Negras em Marcha. Com entrada gratuita, o encontro celebra a presença, participação e protagonismo das mulheres negras na música brasileira a partir do samba.

O Festival tem como foco trazer ao palco musicistas e sambistas de São Paulo que são referência para o Samba Negras em Marcha, seja musicalmente, seja dentro da trajetória de militância no combate ao preconceito racial e de gênero.

Com sede na Ação Educativa, o festival Nossa Voz integra reunirá importantes nomes do samba em São Paulo Nega Duda, Girlei Luiza Miranda, Ilú Obá de Min e Luana Hansen que acompanhadas do Samba Negras em Marcha apresentam repertório autoral, sambas de roda baiano e outros sambas conhecidos do público.

Além das parcerias musicais, o projeto conta com o apoio de diversos coletivos protagonizados por mulheres, dentre eles o Coletivo Amapoa (registro audiovisual e fotográfico), Atelier Mandarins (modelagem e costura dos figurinos), InBlue Brazil (tecidos,tingimento natural e estamparia artesanal) e Ação Educativa.

O evento integra uma série de atividades organizadas pelo Samba Negras em Marcha, com o patrocínio do Programa VAI da Secretaria Municipal de Cultura, o projeto “A mão que bate o tambor é feminina” promove para o público um festival musical e bate-papos em diferentes pontos da cidade sobre o Protagonismo da Mulher Negra na Música.

Além do Festival Nossa Voz, em 2019 nos meses de março e abril, o Samba Negras em Marcha realiza em espaços coletivos nas periferias as rodas de conversa "O protagonismo e resistência da mulher na música" com a participação das cantoras Nega Duda, Maíra da Rosa e Girlei Miranda.

Sobre o Samba Negras em Marcha

O Samba Negras em Marcha surgiu em 2015, a partir da reunião de mulheres negras artistas de diferentes idades que se mobilizavam para a Marcha das Mulheres Negras daquele ano. Utilizando suas habilidades nas artes como ferramenta de luta e afirmação, cantoras, dançarinas, atrizes, compositoras, percussionistas e artistas visuais decidiram unir forças para fazer do samba e de outros ritmos afro-brasileiros o pano de fundo das bandeiras de luta contra o racismo, o machismo e a LGBTfobia.

Composto por mulheres que atuam em coletivos e frentes que pautam a questão de gênero, racial, e LGBT, tais como a Coletiva Luana Barbosa, Ilú Obá de Min, Bloco Siga Bem Caminhoneira, Levante Mulher, Sarrada no Brejo, Marcha das Mulheres Negras e Marcha Mundial de Mulheres, Sarau Manas e Monas e Ilê Axé Oju Oyá.

Louvando as pombogiras, os encantados, as Yabás e a força feminina em diferentes formas, o Samba Negras em Marcha evoca a ancestralidade como pilar essencial do protagonismo. São mulheres que entoam canções próprias e de suas pares, num grito pela liberdade de serem o que quiserem ser. Que tocam tambores, agogôs, tamborins; instrumentos harmônicos e melódicos, na levada que faz do samba o ritmo que rege a luta. São mulheres negras que falam sobre as suas dores travestindo-as em poesia, ampliando a voz que foi negada a elas, mas que sempre esteve ativa e precisa, cada vez mais, aparecer com a altivez que merece.

Serviço

Festival Nossa Voz
Convidadas: Nega Duda, Girlei Luiza Miranda, Ilú Obá de Min, Luana Hansen e Samba Negras em Marcha
1º/12 (sábado) às 16h
Local: Ação Educativa
Rua General Jardim, 660, Vila Buarque
Estação mais próxima de metrô: Mackenzie linha amarela

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