Festival homenageia Martinho da Vila e Maria Firmina dos Reis, e conta com a participação de nomes consagrados da literatura negra nacional e internacional

Texto / Pedro Borges
Imagem / Divulgação

A Festa Literária das Periferias (FLUP) deste ano ocorre entre os dias 6 e 11 de Novembro, no Cais do Valongo, Rio de Janeiro, e tem como temática central a negritude. Durante toda a programação, poetas, slammers, escritores e debatedores nacionais e internacionais participam do encontro, que homenageia Martinho da Vila e Maria Firmina dos Reis.

“Nossa programação desse ano será totalmente voltada à questão negra, não apenas nos temas propostos, mas também no time de autores, debatedores e slammers que participarão do festival”, destaca Ecio Salles, um dos fundadores e curadores da FLUP.

Martinho da Vila completou 80 anos em 12 de Fevereiro de 2018, e será destacado como uma figura que carregou consigo a população negra e periférica. A segunda recordada é a primeira romancista brasileira, Maria Firmino dos Reis, autora apagada e embranquecida pela história oficial.

“Não à toa esta é a primeira FLUP fora de uma favela, numa região central do Rio de Janeiro. Isso se deve ao reconhecimento da centralidade do debate racial em um país cuja população é majoritariamente negra. O leitor que fez do Lázaro Ramos um fenômeno de vendas é provavelmente o mesmo que tem superlotado produções como Elza e o Pequeno Príncipe Preto. Só não percebeu essa demanda de mercado quem é desinformado ou preconceituoso”, comemora Julio Ludemir, outro fundador da FLUP.

O Cais do Valongo, local escolhido para receber o evento deste ano, foi construído no final do Século XVII, e está situado na zona portuária do Rio de Janeiro, local conhecido como “Pequena África”.

Encontrado em 2011 durante escavações, o local foi o principal ponto de entrada de escravizados no Brasil e representa o passado de exploração e sofrimento da comunidade negra.

Nomes da programação

A edição deste ano traz inúmeros nomes reconhecidos a nível nacional e internacional. Entre os brasileiros, destaque para Giovana Xavier, professora da UFRJ, Jarid Arraes, escritora, Muniz Sodré, professor da UFRJ, Gilberto Gil, músico, Liniker, música, Djamila Ribeiro, escritora, Silvio Almeida, professor do Mackenzie, Giovani Martins, escritor, e Marcelo D’salete, quadrinista.

Entre os escritores internacionais, há a confirmação do moçambicano Ungulani Ba Ka Khosa, camaronês Bonaventure Ndikung, norte-americano Saul Williams, francesa Paola Anacoana, britânica Taiye Selasi, entre outras e outros.

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