“Isso É Coisa de Preto - 130 Anos da Abolição da Escravidão” homenageia grandes personagens dos séculos XIX e XX, e ressignifica expressão com forte carga racista

Texto / Redação
Imagem / Adenor Gondim

Ser o maior jogador de futebol do século XX é coisa de preto. Compor algumas das músicas mais belas e icônicas da música brasileira é também coisa de preto. Ter papel fundamental na história política e ser referência no cenário artístico? Adivinhe: é coisa de preto na mesma proporção das anteriores.

Pode haver alguém aqui e ali que atribua atos socioculturalmente condenáveis a nós, pretos, mas os tempos estão mudando - e há até quem perca o emprego ao dizer isso. Mostrar a mudança do paradigma de como afro-brasileiros são vistos na sociedade é a premissa da exposição “Isso É Coisa de Preto - 130 Anos da Abolição da Escravidão”, cuja inauguração será sábado (12), no Museu Afro Brasil.

A mostra coloca os holofotes em trabalhos notáveis feitos por pessoas negras nos séculos XIX e XX por meio de pinturas, esculturas, fotografias, litografias e desenhos que mostram quão importante as populações africana e afro-brasileira foram para a construção do país.

Algumas das personalidades homenageadas na obra são o poeta Luiz Gama; os músicos Dorival Caymmi, Elza Soares, João do Vale, Cartola, Milton Nascimento, Luiz Melodia, Jamelão, Pixinguinha, Paulinho da Viola e Itamar Assumpção; o editor Francisco Paula Brito; o médico Juliano Moreira; o abolicionista José do Patrocínio; Pelé; a atriz Ruth de Souza; entre demais ícones da cultura negra.

As estrelas homenageadas na mostra foram retratadas por artistas como o dos irmãos Arthur Timótheo e João Timótheo, Heitor dos Prazeres, Solano Trindade, Yedamaria, Mestre Valentim, Nelson Sargento, Eustáquio Neves, Walter Firmo, Rubem Valentim, Estevão Silva, José Teóphilo de Jesus, Benedito José Tobias, Mureen Basiliat, Rafael Pinto Bandeira, Washington Silveira, Otávio Araujo, Waldomiro de Deus, Antonio Firmino Monteiro, Pierre Verger, Carybé, João Alves, Maria Lídia Magliani, Caetano Dias, Belmiro de Almeida, Mestre Benon e João da Baiana.

A exposição revisita também a produção artística de Cuba e Haiti, países conhecidos pela predominante população negra, que têm como temas centrais o sincretismo religioso e a união entre os cultos do vodum e da Igreja Católica, que enfatizam a forte relação que os povos de ambos os países têm com a religiosidade.

Programação

A exposição “Isso É Coisa de Preto - 130 Anos da Abolição da Escravidão” está disponível no Museu Afro Brasil (avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 10, Parque do Ibirapuera).

A inauguração da mostra, que será em 12 de maio (sábado), às 11h, terá vernissage com apresentação do grupo Os Escolhidos, criado em 2014 no Brasil e formado por imigrantes e refugiados da República Democrática do Congo. O conjunto executará diversos gêneros musicais como rumba congolesa, acapela, zouk, world music e estilos próprios do Congo cantados em diferentes idiomas como lingala, kikongo e swahili.

Os ingressos custam R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia-entrada), sendo que a entrada é gratuita aos sábados. Informações sobre a exposição, que estará disponível até 29 de julho, poderão ser obtidas em (11) 3320-8900 e www.museuafrobrasil.org.br.

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