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1º Encontro Nacional Empoderadas: mulheres negras no audiovisual traça panorama da produção brasileira e celebra o dia da Mulher Afrolatina-americana e Caribenha.

Texto e Imagem / Divulgação

A partir de 25 de julho a 5 de agosto, acontece o 1º Encontro Nacional Empoderadas: Mulheres Negras no Audiovisual que terá como sede, o reduto da produção afro-diaspórica contemporânea: a Aparelha Luzia (Rua Apa 28, Campos Elíseos), e promoverá ao longo de dez dias Mostra de Vídeos, Seminário e Master Classes com profissionais negras do audiovisual brasileiro. No dia 8 de agosto, acontece mostra paralela no CineSESC com a participação da cineasta Everlane Moraes e da pesquisadora Kênia Freitas.

Além do ineditismo de promover ao longo de dez dias ações e programações que reflitam sobre o cenário da produção feminina negra no audiovisual brasileiro, o 1º Encontro Nacional Empoderadas integra e celebra o dia da Mulher Afrolatina Americana e Caribenha, comemorado em vários países no dia 25 de julho.

Faixa para textos BAP

Idealizado pelo projeto Empoderadas e desenvolvido em parceria com a cineasta Issis Valenzuela e pela jornalista Maitê Freitas, o projeto conta com o apoio do edital Proac – Ações de Fomento ao Audiovisual. O 1º Encontro Nacional é fruto da parceria do projeto Empoderadas com a Tabuleiro Filmes. “Esta parceria contribui para nossas trajetórias pessoais quanto profissionais crie um campo e de diálogo para uma maior compreensão e percepção da diversidade nas narrativas, experiências como mulheres negras no audiovisual brasileiro”, explica a produtora executiva Issis Valenzuela.

A atividade integra o escopo de ações do Empoderadas, projeto idealizado pela cineasta Renata Martins que tem como objetivo repensar e propor um novo espaço à produção e ao protagonismo de profissionais mulheres negras no audiovisual e que há dois anos, com uma equipe formada integralmente por mulheres negras, registra a história de mulheres que vêm desenvolvendo ações e condições de lutar contra o machismo e o racismo institucionais.

O nosso objetivo com o Seminário é possibilitar o encontro geracional entre mulheres negras que resistem ao machismo e ao racismo no audiovisual, promovendo um ciclo onde nossas vozes e experiências possam ser multiplicadas, além de refletir sobre os retrocessos e o futuro da produção audiovisual negra contemporânea, relembra Renata Martins.

O Empoderadas ao longo desses dois anos constituiu e vem criando um espaço de pensar, fazer, gerar e gerir conteúdos. “O projeto, para além da websérie, ja se desdobrou em uma ação educomunicativa ao fazer formação de jovens secundaristas e introduzi-las na produção audiovisual com recorte étnico e de gênero – Empoderadas Elas nas Exatas e nas Tecnologias – , ja se aliou a outras ações para promover intervenções em espaços ditos masculinos – com o Empoderadas do Samba –, vem registrando histórias de lideranças femininas quilombolas. Se, os nossos passos vêm de longe, chegou a hora de nos reunirmos agora chegou a vez de pensar a realização audiovisual com produtoras, diretoras, roteiristas, atrizes e profissionais negras de outras localidades”, explica Maitê Freitas.

Para a cineasta e diretora geral do evento, Renata Martins: o principal desejo deste 1º Encontro é possibilitar o cruzamento entre realizadoras, atrizes produtoras e técnicas, do Oiapoque ao Chuí, de norte a sul do país, que embora de localizações diversas, buscam em suas produções pensar e refletir um novo caminho para produção feminina negra no audiovisual.

O projeto foi pensado por mulheres negras que produzem e têm no audiovisual sua ferramenta de trabalho e construção de discurso. “É um projeto feito para assistirmos e discutirmos com o público em geral o audiovisual produzido por mulheres negras. Uma forma de refletir sobre nossas narrativas, olhar o que nos une mas também entender as diferentes linguagens e pontos de vista que estão sendo criados por cada realizadora” relembra Issis Valenzuela.

Na busca por descentralizar do eixo Rio – São Paulo, e tornar plural as vozes e as experiências, o 1º Encontro Nacional Empoderadas trará 15 convidadas de outras localizações para integrar a master classes, o Seminário e realizou curadoria coletiva para realização da Mostra de Filmes.

Sobre as Master Classes

O 1º Encontro Nacional Empoderadas: Mulheres Negras no Audiovisual inicia a jornada com quatro aulas magnas de profissionais negras que atuam em diferentes áreas do audiovisual: da pesquisa à edição de vídeos.

Nas palavras da produtora Maitê Freitas: as Master Classes surgiram de uma percepção e um desejo nosso de nos aprofundarmos e refletirmos sobre alguns aspectos da formação técnica, do fazer audiovisual. Contudo, pensamos que mais produtivo do que fazermos uma trajetória de aperfeiçoamento individual (onde cada uma poderia fazer um curso); nos propomos a realizar uma ação coletiva, ao abrirmos para que coletivos, estudantes de cinema, comunicação social se reunissem com profissionais negras de diferentes áreas e gerações, para esse ciclo de aperfeiçoamento.

Abrindo o ciclo, no dia 25 de julho, a pesquisadora e coordenadora do FICINE – Fórum Itinerante de Cinema Negro, Janaína Oliveira (RJ) falará sobre os aspectos da pesquisa e do Cinema Negro com Mulheres. No dia 26, a cineasta Adélia Sampaio (RJ) falará sobre sua trajetória e sua experiência em ser a primeira cineasta negra a dirigir um longa-metragem: Amor Maldito (1984). A documentarista Lilian Solá Santiago, no dia 27, falará sobre a “Representação e representatividade negra na fronteira entre documentário e ficção da cinematografia brasileira contemporânea”. Encerrando a master classes, no dia 28 de julho, a montadora Cristina Amaral falará sobre montagem, edição e construção narrativa.

Outro aspecto que consideramos importante ao propormos as master classes e abrirmos esse processo de formação dentro do Empoderadas, é possibilitar que as inscritas nas oficinas experimentem e produzam vídeos durante o encontro, explica a produtora Maitê Freitas. Ao todo, serão gravados quatro episódios com as algumas das convidadas que integram a nossa programação. O material produzido comporá a quarta temporada da web-série, Empoderadas, a partir de 2018.

Sobre o Seminário Mulheres Negras no Audiovisual:

De 1º a 5 de agosto, das 20h às 22h30, acontece o Seminário Mulheres Negras no Audiovisual, reunindo 22 profissionais negras de diferentes estados brasileiros e divididas em cinco mesas temáticas:

● A Mulher Negra e produção audiovisual brasileira: da desconstrução das velhas à construção das novas narrativas (1º/8)
● A experiência coletiva na produção audiovisual (2/8)
● Empoderamento técnico e estético: onde estão as técnicas negras no audiovisual? (3/8)
● Captação de Recurso: onde está o dinheiro para as produções negras no audiovisual? (4/8)
● Atrizes negras: a representação da mulher negra no audiovisual (5/8)


Além de propor uma reflexão aberta com diferentes experiências da produção das mulheres negras, a importância do seminário também está no fato de que “em geral, nós, mulheres negras do audiovisual somos convidadas para mesas temáticas, e somos apena uma. Na disputa por construir novas narrativas, o Encontro como um todo, foi pensando para que as mulheres negras do audiovisual possam ter um espaço de fala maior e possibilitar que o público em geral possa exercitar a escuta”, Renata Martins.

Sobre a Mostra

Durante o 1º Encontro Nacional Empoderadas, será realizada a 1å Mostra Empoderadas Mulheres Negras no Audiovisual. Foram mais de XX inscrições de produções brasileiras nas quais, ao menos alguma função técnica ou atuação contavam com a presença de uma mulher negra. A curadoria feita por quatro cineastas negras: Picolé da Massa e Várzea das Artes, Ilirana Rodrigues (Criadoras Negras – RS), Thamires Vieira (Tela Preta – BA) e Renata Martins (Empoderadas – SP), teve como objetivo escolher obras que refletissem a pluralidade da produção do audiovisual negro e as múltiplas vozes e presenças femininas nelas.

Ao todo foram selecionados 31 filmes, divididos em seis sessões: Novas formas de Contar, Contar para não esquecer, Narrativas de uma mulher (especial Everlane Moraes), Mostra Brasil I e II. De acordo com a curadora baiana Thamires Vieira: “contemplar filmes protagonizados por mulheres negras que estão além do que se resume as funções de direção ou roteiro, nos coloca em um lugar mais atento para perceber o desempenho das funções protagonizadas por estas, dentro da produção cinematográfica. Ver como as narrativas, mulheres negras, protagonizando e lançando seu olhar sobre o mundo e para mundo, afirmando sua importância e imprimindo novas formas de dizer, nos amadurece diante desse campo de disputa intelectual. Curar os filmes por esta ótica é experimentar falar de mulheres negras, com mulheres negras, o que é sem dúvida um importante processo de curar”.

“É importante pensar a produção audiovisual além desses grandes centros de produção. Estados como a Bahia, Amazonas e Rio Grande Sul tem produzido muita coisa e, no entanto, temos pouco acesso à essas produções. Outro ponto importante é que a nossa Mostra subverte as mostras hegemônicas, por trazer além dos gêneros clássicos (ficção e documentário), a produção de vídeos experimentais, vlogs e por possibilitar que a filmes que tiveram em sua equipe técnica profissionais negras, também possam ser inscritos”, explica Renata Martins.

O 1º Encontro Nacional Empoderadas Mulheres Negras no Audiovisual é gratuito, aberto a todos os públicos. Acontece na Aparelha Luzia (Rua Apa 78).

Programação geral
Mostra Empoderadas Mulheres Negras no Audiovisual

02 de Agosto | sessão 1 - Novas formas de contar (71 minutos)
03 de Agosto | sessão 2 - Contar para não esquecer (90 minutos)
04 de Agosto | sessão 3 - Mostra Brasil 1 (70 minutos)
05 de Agosto | sessão 4 - Mostra Brasil 2 (80 minutos)
08 de Agosto | Mostra Especial Everlane No cinesesc às 20h30

Serviço Mostra Empoderadas Mulheres Negras no Audiovisual
02 a 08/08/2017*, às 18h00
Local: Aparelha Luzia - Rua Apa, 78 - Campos Elíseos - São Paulo

*No dia 08/08/2017 a Mostra ocorrerá no CINESESC (R. Augusta, 2075 - Cerqueira César, São Paulo - SP), às 20h30, seguida de bate-papo com a diretora Everlane Moraes e a pesquisadora Kênia Freitas, mediado pela cineasta Renata Martins.

Master Classe | De 25 a 28 de Julho

Janaína Oliveira
Master class: Cinema Negro com Mulheres
Data: 25/07
Horário: 20h30 às 22h30
Minibiografia
Janaína Oliveira (FICINE / APAN), Pesquisadora e curadora, é doutora em História e professora IFRJ – Campus São Gonçalo, onde coordena o NEABI. É idealizadora e coordenadora do FICINE, Fórum Itinerante de Cinema Negro (www.ficine.org).

Adélia Sampaio
Master class: Adélia Sampaio - Narrativas em primeira pessoa
Data: 26/07
Horário: 20h30 às 22h30
Minibiografia
Primeira cineasta negra a dirigir um longa-metragem, tem uma importância ímpar para o cinema brasileiro. Em seus filmes trouxe temáticas como amor, violência e problemas sociais, edificando um cinema brasileiro como espaço de pertencimento. Ela falará sobre cinema, seus filmes, sua trajetória e sobre os desafios em ser uma mulher negra, filha de empregada doméstica, construindo uma trajetória como cineasta.

Lilian Solá Santiago
Master class: Representação e representatividade negra na fronteira entre documentário e ficção da cinematografia brasileira contemporânea
Data: 27/07
Horário: 20h30 às 22h30

Minibiografia
Lilian Solá Santiago é documentarista, produtora cultural e professora de cinema. É Mestre em Integração da América Latina pela Universidade de São Paulo (USP), com graduação em História pela mesma Universidade.

Cristina Amaral
Master class: Montagem Cinematográfica
Data: 28/07
Horário: 20h30 às 22h30

Formada no Curso de Cinema da Escola de Comunicações e Artes - USP
Montadora Cinematográfica, estabeleceu parceria com importantes diretores do Cinema Brasileiro, como Carlos Reichenbach, Andrea Tonacci e Edgard Navarro. Com Andrea Tonacci, coordena desde 1997 a produtora Extrema Produção Artística.
Serviço:
Horário: 20h às 22h
Não há distribuição de ingressos. Classificação livre.
Local: Aparelha Luzia - Rua Apa 78, Campos Elíseos

Seminário Mulheres Negras no Audiovisual
1º a 5 de Agosto

Mesa 1 | A Mulher Negra e produção audiovisual brasileira: da desconstrução das velhas à construção das novas narrativas
Data: 01/08 | Horário: 20h às 22h
O audiovisual para além de uma formato midiático, é um recurso onde novos discursos e experimentações estéticas podem ser feitas, neste encontro as cineastas Danddara (RJ/SP). Cintia Maria (BA), Keila Serruya (AM), Carol Rodrigues falaram de suas experiências e as novas narrativas das mulheres negras no audiovisual, com mediação de Jéssica Queiroz

Mesa 2 | A experiência coletiva na produção audiovisual
Data: 02/08 | Horário: 20h às 22h
A cada dia mulheres e jovens negras se reúnem em coletivos para produzir e repensar as relações de produção. Neste encontro, representantes de coletivos de diferentes localidades falam de suas experiências e os desafios da produção coletiva. Com Elis Menezes (Nós Madalena – SP), Iliriana Rodrigues (Criadoras Negras - RS), Thamires Vieira (Tela Preta - BA) e mediação de Renata Martins (Empoderadas - SP)

Mesa 3 | Empoderamento técnico e estético: onde estão as técnicas negras no audiovisual?
Data: 03/08 | Horário: 20h às 22h
A construção de novas e de narrativas representativas não passa apenas pelo discurso, mas pela parte técnica: da nossa formação ao nosso aprimoramento técnico refletido no trato estético. Neste encontro, uma roteirista, uma diretora de arte, uma operadora de áudio e uma fotógrafa se reúnem para falar de seus processos e desafios criativos. Com Andressa Clain (SP), Francine Barbosa (RJ), Janaina do Nascimento (SP), Nuna (SP) e mediação de Kelly Castilho

Mesa 4 | Captação de Recurso: onde está o dinheiro para as produções negras no audiovisual?
Data: 04/08 | Horário: 20h às 22h

Que sabemos fazer isso a história tem nos mostrado. No entanto, a indústria e o mercado audiovisual movimentam milhões em produções que sustentam o discurso hegemônico. Neste encontro vamos refletir sobre a distribuição e o acesso aos meios de produção da produção audiovisual para as obras das realizadoras negras. Com Carolina Costa (Ancine - RJ), Erica de Freitas (RJ), Viviane Ferreira (SP) e mediação de Fernanda Lomba

Mesa 5 | Atrizes negras: a representação da mulher negra no audiovisual
Data: 05/08 | Horário: 20h às 22h
Para encerrar, reuniremos atrizes negras responsáveis por dar vida e forma às narrativas e por encampar uma disputa por espaço e representatividade no meio audiovisual. Atrizes negras de gerações, atrizes trans, mulheres com histórias e repertórios diferentes se encontram para falar de suas experiências e refletir sobre a presença negra nas telas. Com Kika Sena (DF), Naruna Costa (SP), Teca Pereira e mediação de Mawusi Tulani (SP)

Serviço:
Horário: 20h às 22h
Não há distribuição de ingressos. Classificação livre.
Local: Aparelha Luzia - Rua Apa 78, Campos Elíseos

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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