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 Margareth Menezes, Gilberto Gil e Milton Nascimento participam de projetos com nomes em ascensão

Texto: Juca Guimarães I Edição: Simone Freire I Imagem: Divulgação

Os griôs na cultura africana são responsáveis por transmitir o conhecimento ancestral aos mais jovens. Na música brasileira, artistas negros consagrados estão se conectando com a nova geração para fortalecer vínculos com a ancestralidade e renovar a linguagem.

Milton Nascimento lançou recentemente um EP com o rapper paulistano Criolo. O trabalho se chama “Existe Amor” e conta com quatro canções: “Cais”, de Milton; “Dez Anjos”, uma parceria dos artistas; “Não Existe Amor em SP”, sucesso do Criolo que ganha carga emocional maior em tempos de pandemia e “O Tambor”, regravação de uma canção do maestro Artur Verocai, cantada pelo Criolo na versão original do álbum Voo do Urubu, lançado em 2016 pelo maestro.

A amizade entre Milton e Criolo já vem de alguns anos. O compositor mineiro afirma que tem uma ligação de alma com o jovem músico paulistano. A dupla também lançou uma campanha de doação para famílias em situação de vulnerabilidade por conta da pandemia da Covid-19. “Interminável e o dia em que a fome visita um irmão. Pior que a fome é o dia de humilhação”, diz a letra de “O Tambor”.

O cantor Gilberto Gil e a banda BaianaSystem também acabam de lançar um álbum com o registro ao vivo do encontro de gerações que aconteceu no ano passado. A versão digital do trabalho já está nas plataformas de música. Ainda este ano, deve sair a versão em vinil.

Também este ano deve ser retomado o projeto Padrinhos da Música, em Salvador (BA), idealizado por Fernanda Bezerra e Deyse Porto, que promove o encontro entre a nova geração e artistas que são suas influências.

Foram três edições: a primeiro teve Attooxxá e Carlinhos Brown, a segunda trouxe Margareth Menezes e Larissa Luz e a terceira foi com Luedji Luna e Lazzo Matumbi. “O que temos de melhor é a música negra. Esses artistas todos têm a características de fazer boa música e um discurso e atitude de palco que são políticas”, disse Deyse Porto, que fez a direção de uma websérie com os três shows.

Nos vídeos, a diretora acompanhou o encontro e as conversas entre os artistas. As experiências compartilhadas e os pontos em comum são evidentes, assim como a relação deles com a cultura. “Dá para perceber como as questões políticas eram tratadas há 30 anos e hoje em dia”, disse Deyse. “Quem está hoje no universo da música negra pop, por mais criativa e inovadora que seja, tem uma base histórica que permitiu que essa inovação acontecesse”, cpmpletou.

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