Edição, que terá início em 29 de agosto, tem recorde de inscrições, e visa fortalecer novos cineastas, promover reunião de gerações e incentivar à valorização da ancestralidade

Texto / Pedro Borges
Imagem / Divulgação

O “Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul – Brasil, África e Caribe”, com curadoria do diretor Joel Zito Araújo e Janaína Oliveira, selecionou 74 filmes nacionais, de cinco regiões do Brasil, e 18 filmes internacionais, entre longas e curtas, para celebrarem a maior janela de exibição afrodiaspórica de cinema negro no país. A programação ocupará os espaços do Cinema Odeon, Centro Cultural Justiça Federal (Cinelândia), MAR Museu de Arte do Rio (Praça Mauá) e Cine Arte UFF (Niterói), de 29 de agosto a 9 de setembro.

Organizado pelo Centro Afrocarioca de Cinema, o festival firmou-se no Brasil e no mundo e mantém o objetivo de Zózimo Bulbul, o fundador, que é fortificar a identidade negra e incentivar o intercâmbio cultural Brasil-África por meio de exibições, debates e de processo formativo com palestras e seminários, promovendo relações entre realizadores negros brasileiros, africanos e da diáspora.

O “Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul – Brasil, África e Caribe” é o único nesta esfera no Brasil e América Latina e atrai, a cada ano, maior público para a cidade do Rio de Janeiro. É uma alternativa para diminuir a lacuna existente na produção cinematográfica negra brasileira, valorizando-a como patrimônio cultural. Zózimo não utilizava a palavra Festival, ao valorizar o conceito de encontro, pois queria estimular, de forma não competitiva, o estreitamento de relações e cooperação entre os realizadores.

Na curadoria do evento desde 2014, o premiado cineasta Joel Zito Araújo, convidado por Zózimo Bulbul, explica a importância do evento.

“Trata-se de um encontro com a característica que o Zózimo imprimiu, no qual a maioria dos convidados internacionais é da África. E eu tenho, na curadoria, a preocupação de oferecer um painel do que acontece neste continente: um painel do cinema feito pela África negra.”

Para Janaína Oliveira, importante pesquisadora de cinema africano e curadora convidada desde 2017, “o cinema negro nacional finalmente ganha forma e corpo, apontando o crescimento inegável do número de realizadoras, realizadores e coletivos de cinema que afirmam o cinema negro como gênero cinematográfico, assim como espaço e luta política no cenário do audiovisual nacional. Uma geração de novos cineastas que assumiu para si a responsabilidade de transformação e aumento da presença negra no cinema nacional, assim como Zózimo Bulbul tanto desejou e impulsionou, como visionário e artista militante que era.”

Em 2018, foram inscritos mais de 180 projetos, o que representa uma vitória para o evento, diante das dificuldades provenientes do racismo presente na sociedade. Esta edição tem como objetivo celebrar o florescimento da geração atual, que tem grandes chances de alterar, em médio prazo, a representatividade da cultura negra no cinema brasileiro.

O encontro contará com presenças de referências na área, como Haile Gerima, professor e cineasta da Etiópia, que nos anos 90 ganhou inúmeros prêmios com o seu filme "Sankofa" (1993) - seu último longa-ficcional, "Teza" (2008), ganhou o o Etalón de Ouro, prêmio máximo do  FESPACO (Festival Panafricano de Cinema e Televisão de Ouagadougou). Outra presença confirmada é de Manthia Diawara, cineasta do Mali, considerado o maior crítico de cinema africano da atualidade, que já dirigiu oito documentários, e é escritor e professor da NYU e Sorbonne, com seis livros publicados em diversos idiomas.

Serviço

Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul – Brasil, África e Caribe / 11 anos acontecerá de 29 de agosto a 9 de setembro, das 10h às 21h - consulte a programação. A mostra acontecerá no Cinema Odeon (praça Floriano, 7, Centro), CCJF (Centro Cultural Justiça Federal, na avenida Rio Branco, 241, Centro), MAR (Museu de Arte do Rio, na praça Mauá, 5, Centro) e Cine Arte UFF (rua Miguel de Frias, 9, Icaraí, Niterói).

Ingressos estarão disponíveis no Cinema Odeon, a R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia-entrada); no Centro Cultural Justiça Federal e no MAR, com entrada gratuita - a distribuição de senhas acontecerá uma hora antes do evento.

A classificação é livre nas sessões das 13h e de 16 anos nas demais sessões. Informações estão disponíveis também em www.afrocariocadecinema.org.br.

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